Entrevista | 22-04-2019 07:00

“Os políticos devem pagar pelos erros que cometem”

“Os políticos devem pagar pelos erros que cometem”
TRÊS DIMENSÕES

Michel Ferreira nasceu em França, para onde os pais emigraram para tentarem a sua sorte. Viveu lá até aos oito anos, altura em que os pais regressaram à zona de Pombal.

Os meus pais emigraram para França para tentar a sua sorte e eu nasci lá. Vivemos na zona de Lyon mas quando tinha oito anos os meus pais decidiram regressar a Portugal. Não tenho muitas memórias dos tempos em França e não tenho vontade de emigrar. Quando acabei o curso tive uma oportunidade de trabalho nos Estados Unidos da América mas escolhi ficar no nosso país e não me arrependo da decisão que tomei.

Sou licenciado em arquitectura mas desde 2004 que trabalho na Pregimac, que integra o Grupo Placogesso. Trabalhamos na área da revenda de materiais de construção. De vez em quando faço alguns trabalhos de arquitectura, mas é esporadicamente, só para fazer o gosto ao dedo e matar saudades.

Nem sempre é fácil trabalhar em família. Como temos mais à vontade uns com os outros há momentos que podem ser mais difíceis. Há dias em que é impossível e o melhor é não estarmos juntos e há outros dias em que é bom demais. A proximidade familiar pode ajudar em alguns momentos mas noutros também pode complicar. Temos que saber lidar com as situações, respeitarmos as ideias e opiniões de cada um e chegarmos a um consenso e solução.

Às quartas-feiras jantamos sempre em casa dos meus pais e ao fim-de-semana também fazemos um almoço de família. Temos esta rotina desde sempre e tentamos sempre cumpri-la. Os momentos em família são o mais importante e o melhor que levamos desta vida. Tentamos evitar mas é muito difícil não falar de trabalho nestes encontros. Aproveitamos para programar o dia ou a semana seguinte.

Nos tempos livres pratico radiomodelismo. Sempre gostei de carros telecomandados e pistas de carros mas há cerca de três anos, na minha terra, Vermoil (Pombal), criaram-se boas condições para a prática de radiomodelismo e fazemos umas brincadeiras de vez em quando. O tempo em que estou entretido com aqueles carrinhos desligo totalmente dos problemas e do trabalho. É uma forma de descomprimir do stress do dia-a-dia.

Não tenho jeito para cozinhar. Essa tarefa é da minha mulher, que é uma óptima cozinheira. Cozinhei só durante os anos em que estudei em Coimbra e nessa altura o atum enlatado era o meu melhor amigo (risos). Sou fã de carneiro e gosto de um bom peixe grelhado e enguias. Só não gosto de lampreia e arroz de cabidela.

Os anos da universidade foram dos melhores da minha vida. Devia ter chumbado dois ou três anos para ficar lá mais tempo (risos). Foi uma óptima fase, onde fiz bons amigos que ainda permanecem na minha vida. Fiz muitas directas para conseguir conciliar o ritmo da vida académica com os estudos, porque não podia faltar às aulas (risos).

No estádio vibra-se mais. No último fim-de-semana levei o meu filho a ver um jogo do Benfica contra o Vitória de Setúbal porque ele queria ver um jogo no Estádio da Luz. Este ano os meus amigos têm-me desafiado para os jogos europeus e tenho ido mais vezes. Ralho com os jogadores e com o árbitro mas quando acaba o jogo não penso mais nisso.

Em criança pratiquei karaté. Foi importante porque ensina-nos a saber estar, a ter autocontrolo e a ter educação. Além disso, é uma modalidade muito rigorosa que nos ensina a ser assim também na vida. Aos 15 anos joguei futebol. Era defesa. Até era bom jogador, a bola é que estorvava um bocadinho o meu desempenho futebolístico (risos).

As pessoas que não votam não devem criticar os políticos que nos governam. Todos deveriam votar, mesmo que fosse em branco. Um voto em branco conta mais do que uma abstenção. Não gosto da maneira como se faz política em Portugal. Os políticos devem pagar pelos erros que cometem.

Com o nascimento dos filhos as prioridades e as responsabilidades aumentam. Tenho que me preocupar com duas crianças que tenho que saber educar e acompanhar na vida. Faço tudo para estar o máximo de tempo com eles, porque são a coisa mais importante da minha vida e da da minha esposa.

Os adultos passam muito tempo na internet mas os jovens estão lá demasiado tempo. Devido à internet as crianças e jovens não sabem conviver, estão muito agarrados às novas tecnologias. Quando era criança andava sempre na rua a brincar com os amigos. As crianças têm que correr, saltar e aleijar-se, porque isso também ajuda a formar a sua personalidade.

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