O MIRANTE | 07-12-2004 11:41

O espectáculo da violência

Quando a equipa de agentes da Polícia Judiciária da qual fazia parte Francisco Moita Flores deteve o gang dos famosos irmãos Cavaco, evadidos da cadeia de Pinheiro da Cruz após um violento banho de sangue, foi obrigada a um participar num número que não passaria pela cabeça de ninguém. Depois de terem iludido os jornalistas fazendo entrar os presos por uma porta menos conhecida nas instalações da PJ em Lisboa, os polícias receberam “ordens superiores” para voltarem a entrar com os detidos pela porta principal da PJ a fim dos mesmos serem fotografados e filmados.Moita Flores descreveu a história na primeira pessoa numa conferência sobre a comunicação social e a violência realizada no auditório da Escola Superior de Gestão de Santarém, no âmbito das comemorações do 17º aniversário de O MIRANTE. O exemplo serviu para demonstrar a importância que a comunicação social, já naquela altura, dava a casos relacionados com violência. Um quadro que entretanto se agudizou e para o qual não há antídoto, por muito que doa a quem não gosta de ver o sangue a espirrar na abertura dos telejornais ou nas manchetes dos jornais.Posto isto, parece não haver volta a dar. Os jornalistas dão ao povo aquilo que o povo quer e a forte adesão popular, neste caso ao processo Casa Pia, faz com que a comunicação social e os agentes da justiça “empolem, joguem e ganhem”. “fazem tudo e prol do espectáculo, porque este é bom filão”.Para Moita Flores, “esta situação nunca será modificada”. Porque o público prefere mergulhar na espuma dos dias a confrontar-se com a onda que vai desabar sobre o areal. Prefere discutir a eventual prisão de um dirigente de futebol a interessar-se pela crise política que se abateu sobre o país.(Notícia mais desenvolvida na próxima edição semanal)

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