O MIRANTE | 05-07-2018 14:34

Muito sangue novo na dádiva realizada nas instalações de O MIRANTE

Muito sangue novo na dádiva realizada nas instalações de O MIRANTE
17 jovens, como Carolina Nogueira, deram sangue pela primeira vez

As instalações de O MIRANTE em Santarém foram mais uma vez palco de uma recolha de sangue promovida pelo jornal com o grupo de Dadores de Sangue de Pernes, em parceria com o Instituto Português do Sangue e da Transplantação. Destaque para a participação de muitos jovens, alguns deles a dar sangue pela primeira vez.

Na quinta-feira, 28 de Junho, ainda não tinham soado as nove horas da manhã e já entravam nas instalações de O MIRANTE em Santarém os primeiros potenciais dadores de sangue. Médicos e enfermeiros a postos, sem esquecer a zona onde os dadores podiam comer o recomendado lanche antes de entrarem na sala da recolha. No quintal assavam-se as primeiras febras e entremeadas, para retemperar forças após a dádiva. Nem todos os inscritos puderam contribuir com os 450 ml de sangue por questões de saúde, colocação de tatuagens, mudança de parceiro sexual, entre outras.

Dar sangue a dois é mais fácil
Maria de Fátima Parente e João Parente, ambos com 63 anos, são casados e dão sangue há mais de 30 anos. Se não estivessem a participar na campanha estariam em casa, mas Maria de Fátima diz que não perde uma recolha. “Quando já fizemos os meses de descanso, logo que sei de uma nova campanha não perdemos tempo e vamos dar novamente”, diz a O MIRANTE.
Rui Calisto, 37 anos, e Ângela Calisto, 34 anos, vieram de Benfica do Ribatejo (Almeirim) para dar sangue e estrearem-se nas instalações de O MIRANTE. Como dita a tradição, a senhora foi a primeira. Dadora há cerca de cinco anos, diz ter sido incentivada pela família e agora pelo seu marido, que já dá sangue há 18 anos. “Poder fazê-lo a dois incentiva-me mais a participar”, referiu.
Empresas não quiseram ficar de fora
Se dar sangue a dois se torna mais motivador, imagine-se poder fazê-lo com a sua equipa de trabalho. Quem não quis ficar de fora foi a imobiliária Century 21 - Casas do Gótico, que levou três elementos da sua equipa. Ana Sofia Henriques, Bruna Pacheco e Nuno Bento nunca tinham dado sangue. O nervosismo estava à flor da pele e notava-se especialmente em Bruna Pacheco, que afinal foi a única que pôde dar sangue. No final da missão, disse que “estava pronta para outra” e que “não foi nada doloroso”. O seu colega teve uma lesão recente e só pôde inscrever-se como potencial dador de medula óssea, mas sentiu que o acto lhe deixou um sentimento de alegria. “Torna-nos mais humanos e se houver alguém que puxe por nós e nos motive para aderir a esta causa torna-se mais fácil. Neste caso se não fosse pela equipa, não estaria aqui hoje”, diz a O MIRANTE.

Autarcas respondem à chamada de O MIRANTE
Presidentes de câmara, de junta e vereadores deixaram a política de lado por uma manhã, para responderem à chamada
de O MIRANTE para esta missão. Isaura Morais, presidente de Câmara de Rio Maior considera-se uma autarca de sangue na guelra e não quis faltar à chamada. Não sabe que vidas serão salvas com o seu sangue, mas se soubesse que era para um elemento da oposição a presidente diz que “dava na mesma”. Já foi impedida em tempos de dar sangue, porque pesava menos de 50 kg - limite mínimo de peso permitido - mas desta vez a missão foi cumprida com sucesso.
Jorge Gaspar, vereador da Câmara Municipal do Cartaxo, esteve presente e contribuiu para a recolha com os habituais 450 ml. Dá sangue desde os 18 anos – limite mínimo de idade permitida - porque a sua avó tinha um problema de saúde e precisava de transfusões semanais. Desde então ele e a sua família continuam a manter viva esta prática.
Marcelo Morgado, presidente da Junta de Freguesia da Moçarria, Inês Barroso, vereadora da Câmara de Santarém, e Fernanda Asseiceira, presidente da Câmara de Alcanena foram outros dos autarcas presentes.

Sangue e bolinhos

A recolha de sangue nas instalações de O MIRANTE contou com o apoio do Instituto Português do Sangue. Uma das enfermeiras de serviço ouviu um dos dadores a confessar ter comido um “bolo celeste” na pastelaria antes de ter entrado para a dádiva e ficou curiosa por nunca ter ouvido falar da iguaria. Foi nesse momento que Miguel Silva, um dos dadores, decidiu ir à pastelaria e comprar uma caixa para oferecer às enfermeiras quando saiu. Para adoçar um pouco o momento.

João Parente
João Parente

A três de completar uma centena

João Parente, de Santarém, é um rosto conhecido do Grupo de Dadores de Sangue de Pernes. Aos 63 anos já fez 97 dádivas. Ainda para mais numa pessoa que, confessa, tem medo de agulhas. “O que costumo fazer é não olhar para o braço na hora da picada”, diz com um sorriso. Acredita que dar sangue é “um dever” que também proporciona bons convívios e amigos. “Comecei a dar sangue graças a um grupo de pessoas que já davam e que me incentivaram. Entretanto experimentei, dei e gostei tanto que nunca mais parei”, conta a O MIRANTE. Apesar do seu historial, João admite que ainda não conseguiu convencer a família a dar sangue. Lá em casa só a mulher também é dadora. “Tem sido mais fácil trazer pessoas amigas do que familiares”, confessa com um sorriso.

Mário Gomes com Ana Vaz
Mário Gomes com Ana Vaz
Mário Gomes com Ana Vaz

“Números espectaculares” de recolha

O presidente do Grupo de Dadores de Sangue de Pernes, Mário Gomes, faz um balanço “extraordinário” da recolha de sangue promovida nas instalações de O MIRANTE. “Foi uma jornada brilhante e com muitos jovens a dar sangue pela primeira vez. Esta iniciativa é das coisas mais importantes que o jornal faz, além do seu papel informativo da região. Com esta iniciativa ajudamos a salvar muitas vidas no país. Conseguimos ter inscritos 46 dadores, em que 36 efectivamente doaram sangue e onde deram sangue pela primeira vez 17 jovens. São números espectaculares”, refere.
O grupo promove também recolhas no Hospital Distrital de Santarém numa unidade móvel do Instituto Português do Sangue, das 15h00 às 20h00, todas as primeiras e terceiras sextas-feiras do mês. Em Agosto vão estar a recolher sangue todas as sextas-feiras.

Alunos da Escola Profissional do Vale do Tejo deram o exemplo

Jovens precisam de ser sensibilizados para a necessidade de dar sangue

Alunos da Escola Profissional do Vale do Tejo participaram em recolha de O MIRANTE.
Numa altura em que os dadores de sangue são, na sua maioria, adultos de meia idade, é “fundamental” sensibilizar os jovens para a importância de darem sangue e com isso baixar a média de idade dos dadores. A opinião é comum a várias pessoas escutadas por O MIRANTE à margem da recolha de sangue promovida pelo Grupo de Dadores de Sangue de Pernes nas instalações do jornal.
A Escola Profissional do Vale do Tejo deu o exemplo ao comparecer com nove alunos, todos acima dos 18 anos, e dois professores, que quiseram mostrar a importância de dar sangue. “Na nossa escola temos a preocupação de chamar a atenção para todas as questões sociais, desenvolver o espírito de solidariedade e reflectirmos sobre as necessidades deles mas também dos outros”, explica Manuela Baião, professora.
A maioria dos alunos deu sangue pela primeira vez e confessou que “não doeu nada”. Muitas vezes há uma ideia errada do que é dar sangue, admitem alguns. “Todos os que desafiámos para virem dar sangue aceitaram à primeira, o que foi muito positivo. Alguns até já tinham dado no passado”, refere a responsável.
Para Manuela Baião, pode fazer-se “mais e melhor” na sensibilização dos jovens para doarem sangue. “Há muita preocupação nas escolas com a formação técnica, científica, pessoal e social mas por vezes é descurada a formação humana. As pessoas são muitas vezes absorvidas por outras preocupações consideradas prioridades maiores do que ajudar o próximo. As escolas na globalidade podem desenvolver mais esta parte”, defende. Também Mário Gomes, presidente do Grupo de Dadores de Sangue de Pernes, defende que os jovens sejam aproximados das dádivas. “É bom ver os jovens a dar sangue mas é preciso ainda fazer um trabalho que os possa aproximar mais das dádivas e fazê-los ver que é uma obrigação moral dar a quem mais precisa”, defende.

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