O MIRANTE TV | 12-02-2008

António Mota Redol - Cultura

António Mota Redol. Tem 64 anos e a herança genética de um dos grandes vultos da literatura neo-realista em Portugal. Ao contrário do pai, Alves Redol, nunca se aventurou nas lides literárias. Formou-se em engenharia química no Instituto Superior Técnico. A sua paixão é a cultura.

Nasceu e viveu em Lisboa, mas sempre esteve ligado a Vila Franca de Xira que visitava nas férias e fins-de-semana. Hoje está mais afastado do Tejo. Aproximou-se o mar. Vive na Costa da Caparica. É engenheiro da Rede Eléctrica Nacional. Convive diariamente com os números dos investimentos das centrais, com a subida do preço do petróleo e com as projecções dos custos da electricidade. Com alguma ironia traça um paralelo entre a sua profissão e a actividade do pai. Conta que o escritor quando tinha que mexer numa ficha eléctrica ficava logo a tremer e fazia sempre asneira. Após a morte de Alves Redol foi formada em Vila Franca uma Cooperativa com o seu nome. Um dos objectivos era a instalação de uma casa memória. António Mota Redol juntou-se a um grupo de admiradores do pai. A ideia da casa museu evoluiu para a ideia de um museu. O interesse maior deixou de ser apenas o escritor para passar a ser o movimento neo-realista. Personalidade do ano na área da Cultura – Masculino, António Mota Redol foi um dos grandes impulsionadores do museu do neo-realismo de Vila Franca de Xira. Revê-se no edifício de linhas simples e abertas que provocou polémica na cidade. Também aceita com naturalidade a estátua do pai, representado nu, erguida na avenida com o nome do escritor. Aproximou-se da cultura muito naturalmente. Não precisou de qualquer incentivo do pai. Em miúdo ouvia referências a livros e a obras de arte. Foi assim que despontou a sua curiosidade. Recorda-se de ver o pai escrever. Leu todas as suas obras. Um dos livros foi-lhe dedicado. “A vida mágica da sementinha”. E a sementinha germinou. Quando António Mota Redol fala do pai sorri. Uma defesa para afastar a emoção. Dá pequenas gargalhadas soltas. Os olhos fazem-se brilhantes, por detrás das lentes dos óculos. O homem de aparência tímida envergonha-se. É de uma simplicidade desconcertante. Casaco largo aberto e uma mala de pele castanha carcomida por anos de uso que leva para todo o lado. A companheira ofereceu-lhe uma nova na esperança de que trocasse, o que não aconteceu. O passo é estugado, o olhar pára apenas para compreender o Tejo.

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