O MIRANTE TV | 12-02-2008

Joaquim Rodrigues Bicho - Prémio Vida

Quando era adolescente, Joaquim Rodrigues Bicho, escrevia cartas de amor para raparigas que não conhecia. Eram cartas que os amigos lhe pediam para mandar às namoradas. Escrevia pelo gosto de escrever e de ser útil e nunca traiu a confiança de quem lhe fazia os pedidos. Foi sempre discreto e reservado.

O historiador de Torres Novas que, aos 81 anos, continua a saborear a vida e a ter prazer em levantar-se todos os dias para trabalhar. Tem dez livros editados, todos sobre a cidade e as suas gentes. Começou a interessar-se pelos assuntos da cidade aos sete anos. Lia o jornal local e todos os livros que apanhava. O amor pela terra mantém-se mas diz que a modernização lhe retirou a alma. A curiosidade herdou-a do pai que, apesar de ser um trabalhador rural não perdia uma oportunidade de se informar sobre o que se passava à sua volta. Foi director do jornal O Almonda durante anos, depois de reformado da Fábrica de Fiação e Tecidos de Torres Novas, onde entrou como operário e saiu como administrador. Foi também vice-provedor da Santa Casa da Misericórdia, de onde saiu em 1995. Apesar de não gostar de homenagens, tem uma rua com o seu nome. Diz que a cidade já lhe deu mais que aquilo que merece. Este ano O MIRANTE distingue-o com o Prémio Vida.Mas não é só de Torres Novas que gosta. Confessa que também tem um fraquinho por Tomar. O motivo é simples, a cidade do Nabão conseguiu manter pessoas a viver no centro histórico. Diz com algum humor que se cansa muito nas férias. Ao fim de dois ou três dias sem fazer nada dá por si completamente esgotado. Depois de sair da fábrica de Fiação e Tecidos continuou a ir lá. Mas não ia apenas para passear. Ia à procura de trabalho. Aceitava tudo o que lhe pudessem dar para fazer. Passou lá cinco anos a organizar o arquivo. Se os japoneses são os campeões do trabalho, então Joaquim Rodrigues Bicho deve ter uma costela de japonês.Para Joaquim Bicho a vida é um dom e como tal acha que tem o dever de a aproveitar muito bem. A família é o pilar da sua vida. Criou cinco filhos. Quatro raparigas e um rapaz. Não há nada que os consiga afastar. Muito menos a distância. O filho está na Polónia mas falam pelo telefone dia sim, dia não. O clã junta-se no Natal, Páscoa e na celebração dos aniversários. Reuniões alargadas, à antiga. Com o reforço de oito netos.Profundamente católico confessa que sempre que tem de tomar decisões importantes vai a Fátima e é lá que encontra a resposta.Joaquim Rodrigues Bicho sente a escrita como uma obrigação para com ele próprio e para com as pessoas da terra. E continua a escrever. Para acabar o próximo livro diz que precisa de mais seis meses. E embora não o diga é fácil adivinhar que outros já estarão a germinar na sua cabeça.

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