O MIRANTE TV | 12-02-2008

José Cid - Personalidade do Ano (votação dos leitores)

Não deve haver ninguém em Portugal que não seja capaz de cantar o refrão de uma qualquer cantiga de José Cid. E basta entrar em qualquer site internacional de música rock para descobrir o nome do cantor no meio de outros nomes sonantes.

Para os mais românticos escreveu baladas. Os nostálgicos recordam os tempos do Quarteto mil cento e onze. E há ainda a Anita que não é bonita e o macaco que gosta de bananas a fazer contraponto aos sons mais elaborados do álbum “dez mil anos depois entre Vénus e Marte”.José Cid é irreverente, versátil, livre e saudavelmente incorrecto. Tem tudo o que um artista deve ter. O universo das suas canções embala-nos na esperança de dias felizes. E há em cada poema seu, um verso que parece escrito de propósito para cada um de nós. Em 2007 saltou outra vez para a ribalta sem precisar de campanhas de marketing ou canções novas. Alguém se lembrou de trautear uma música antiga e o fogo voltou a alastrar de norte a sul do país. José Cid não se fica pelos saltos em palco. Adora cavalos e faz saltos de obstáculos há trinta anos. Há alguns anos chegou mesmo a vice-campeão nacional de salto em altura. Os leitores de O MIRANTE elegeram-no Personalidade do Ano. O prémio marca o encontro de dois filhos da mesma terra. A Chamusca dos verdes trigais em flor foi berço do cantor e deste jornal. O povo diz que santos da casa não fazem milagres, mas o povo também se engana. Na adolescência José Cid tocava “covers” com os Babies. Mas não foi bebé muito tempo. Aos 18 anos forma um grupo com José Niza, Proença de Carvalho e Rui Ressurreição. Em 1967, já em Lisboa, abala a cena musical com os mil cento e onze e a Balada d’el rei D. Sebastião. A sua música foi uma autêntica pedrada no charco. Num Portugal triste e cinzento soprou um vento fresco de rebeldia. A rádio já não passa música portuguesa. Nem por decreto. Este é um país de modas estrangeiras. Importamos modelos escolares, sistemas de saúde e lojas do chinês. José Cid não se conforma. Atira Favas com Chouriço em forma de canção, à cara da nouvelle cuisine. Goza o prato o mais que pode. Tem um humor inteligente. Há alguns anos posou nu para a capa de uma revista como forma de denunciar tamanha estupidez. Agora voltaria a fazer o mesmo ou ainda pior se tivesse a certeza que conseguia alterar a situação. A Mãe do Rock Português, como gosta de se intitular, orgulha-se de ter vencido Elton John num festival de música, em Tóquio, no Japão e de ter provocado ciúmes a Amália Rodrigues quando arrancou mais aplausos que a diva, num concerto realizado nos Estados Unidos.

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