O MIRANTE TV | 12-02-2008

Vasco Dotti - Tauromaquia

Quando tinha 12 anos era uma guerra em casa quando o queriam levar a uma tourada. As birras que fazia eram uma simples manifestação de rebeldia. A festa brava estava-lhe na massa do sangue e Vasco Dotti não podia fugir ao destino.

Oriundo de uma família de aficionados e pegadores de toiros, chegou a cabo de um dos grupos mais emblemáticos da tauromaquia nacional. O Grupo de Forcados Amadores de Vila Franca de Xira. Curiosamente, foi um amigo de escola que sonhava ser cavaleiro tauromáquico, que lhe proporcionou a primeira pega. Um dia Luís Saramago levou-o com ele a um treino. Quando chegou a altura de pegar a bezerra Vasco Dotti foi escolhido e não deu o braço a torcer. Pegou e gostou. O primeiro toiro a sério aconteceu mais tarde, em Setembro de 1986 numa praça em Sobral de Monte Agraço. Hoje, aos 37 anos de idade, contabiliza 133 toiros pegados e orgulha-se de não ter nenhuma marca das colhidas. Vasco Manuel Dotti Silva Pereira, 37 anos, Personalidade do Ano na área da tauromaquia, é Engenheiro Agrónomo. A sua actividade profissional é exercida na empresa em Marinhais. O tempo que sobra dedica-o ao grupo de forcados e à família.Tem três filhos, dois rapazes de nove e quatro anos e uma menina com dois meses. Confessa que se nenhum deles quiser ser forcado o desgosto não vai ser grandes. Pai é pai e Vasco Dotti conhece bem o perigo que representa enfrentar de peito descoberto, um animal bravio e ágil com várias centenas de quilos. Vasco Dotti foi jogador de hóquei em patins e chegou a alinhar no União Vilafranquense com o amigo Pedro Alves, um dos melhores jogadores internacionais. É adepto do Sporting, mas é nas arenas que mais vibra, especialmente com as pegas dos seus forcados. Quando está na praça, frente de um animal pronto a investir, esquece tudo. A mulher, os filhos, os amigos, o público. A concentração é absoluta. É ele e o touro. Nada mais. É ele e a vontade de fazer tudo perfeito. Perceber os movimentos do animal, receber o impacto, segurar-se de alma e coração para honrar os companheiros, a tradição e a festa.Detesta quando algum aficionado manda um sapato para a arena porque considera o gesto uma falta de respeito. Gosta de receber flores e aplausos quando dá a volta à arena. Quem o conhece diz que é amável e cordato mas que se lhe fazem perder a paciência vai do oito ao oitenta em menos de um fósforo. Vasco Dotti viveu o momento mais duro na vida do grupo, quando perdeu um amigo nos cornos de um toiro em Agosto de 2002. Alguns colegas dizem que a sua força interior foi fundamental para pegar o drama de caras e salvar o grupo da derrocada, a poucos anos de completar as bodas de diamante.

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