Opinião | 17-07-2011 17:45

Licença pornográfica

Não há obras que se vejam em Vila Franca de Xira, em Santarém, no Entroncamento e na generalidade das grandes urbes. O tempo das obras nunca mais será o mesmo. Por isso há concelhos onde, este ano, o serviço de licenciamento de obras poderia ter fechado. Mas há mais pessoas a circularem numas cidades do que noutras.Muita gente que tem responsabilidades pelo crescimento das nossas cidades, vilas e aldeias, ainda não percebeu que já não é a construir novas habitações que se faz crescer e desenvolver uma urbe. Agora é a recuperar o património e a inventar formas de atrair pessoas aos centros cívicos; aos espaços públicos de eleição que são os jardins e as praças mas também as ruas limpas, e iluminadas de noite, onde os comerciantes investem e merecem os apoios, em vez de impostos, como é o caso recente da publicidade nos carros de serviço das empresas que me parece uma licença pornográfica.São as empresas de porta aberta que dão vida às cidades, vilas e aldeias. São os bons empresários e comerciantes que fazem a diferença numa terra que parece um cemitério durante o dia, e a outra que mais parece um centro comercial a céu aberto; ou entre aquelas que têm duas lojas e um restaurante na esquina e aquelas que têm lojas para todos os gostos e restaurantes para todos os paladares.Vou ouvindo e vou sendo testemunha de desabafos de autarcas que andam stressados por não terem gruas nos céus das suas terras. Sou testemunha da preocupação dos políticos por não terem obras em execução nos seus concelhos. Parece que o mundo continua a girar à volta da construção civil e dos negócios milionários com terrenos. E não é verdade assim como nada neste capítulo poderá voltar a ser como dantes. Veja-se o caso de Vila Franca de Xira, uma cidade histórica e com história, que tem cerca de trinta por cento do seu património habitacional ao abandono. Há uma dúzia de anos as ruas do Entroncamento eram um centro comercial a céu aberto com milhares de pessoas nas ruas. As pastelarias estavam sempre cheias; o Entroncamento era a cidade do Marquês Vídeo, da pastelaria Ribatejo, da Tany, da Londrina, do Mateus, da Rullys, do Café Central, do centro comercial Túnel e Avenida. Hoje é uma sombra do passado. Nalguns casos é só passado já sem sombra. JAEP.S. A Estradas de Portugal (EP) inventou forma de tributar os comerciantes em duplicado. O presidente da câmara de Benavente saiu em defesa. Eis um bom exemplo de solidariedade com os comerciantes. A EP deve ser a organização mais manhosa que existe ao cima da terra. Basta ver a publicidade selvagem que existe nas nossas estradas e perceber a forma pouco criteriosa como o negócio é gerido. A estrada nacional que liga Vila Franca de Xira a Lisboa é um terror. E a via rápida tem metade dos outdors com a inscrição “aluga-se” tal é a oferta e o negócio da china que deve estar por trás deste mundo da publicidade.

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