Opinião | 02-05-2012 13:53

O caminho inicial

Está a decorrer até 13 de Maio a Feira do Livro de Lisboa. No passado sábado, ao final da tarde, no pavilhão oficial da feira, assisti ao lançamento do livro “Melancómico”, de Nuno Costa Santos. Era o único assistente, descontando a presença de meia dúzia de pessoas da “família”. Há cerca de três meses assisti ao lançamento de uma biografia de Fernando Assis Pacheco, assinada pelo mesmo autor, na sala de cinema Nimas em paralelo com a antestreia de um documentário sobre a vida do jornalista e poeta falecido em 1995. Sala à cunha e Nuno da Costa Santos foi a estrela da noite. Registo o acontecimento pelo caricato da situação. Apesar de ser um escritor com tarimba e um autor com algum prestígio no meio, NCS não deixou de usar, no início da sua intervenção, todas as muletas que, regra geral, são desaconselhadas aos principiantes; “Já falei para menos gente”; “o Paulo Coelho também já lançou livros num auditório ainda mais vazio”; etc. etc. E esta nota soberba: “há uns anos fiz parte de um grupo que gozou a forma como os lançamentos dos livros são anunciados nesta Feira e como os escritores parecem uns coitadinhos à espera de darem um autógrafo”.Na noite desse dia fui assistir a uma sessão do Indie Lisboa que também decorre até 6 de Maio. Como “quase” sempre fui ver o filme errado. Entrei na sessão das 23h59 e o que eu queria era o filme da sessão das 23h45. Como tinha lido o guião dos dois filmes, e gostei também do Wild Thing, acabei por ficar. Para quem não anda neste mundo para ver andar os outros recomendo com todas as letras. Aliás, precisava de uma crónica para falar do encanto de alguns documentários que o Indie Lisboa proporciona que são inspiração para muitos anos.Há dias grandiosos. Na manhã desse sábado fui ao encontro de um amigo jornalista para mais uma conversa que talvez dê num contrato de colaboração para a edição Vale do Tejo de O MIRANTE. A entrevista de Miguel Noras a O MIRANTE, publicada recentemente, influenciou a conversa. No final do texto, Noras passa uma esponja por tudo aquilo que foi a guerra política e pessoal entre ele e Rui Barreiro. O meu interlocutor tentou mostrar-me que aquele testemunho era importante para eu perceber o seu ponto de vista em relação a um assunto que eu dava como inegociável. Ainda não há colaborador mas o amigo continua amigo.O dia ainda teve esta surpresa notável; comprei finalmente o novo livro de Yvette Centeno “Do Longe e Do Perto”, e descobri que a autora publicou recentemente um novo livro de poesia, Outonais, numa editora online. Yvette Centeno é uma referência maior da cultura portuguesa; poetisa, romancista, tradutora, professora e intelectual notável. Na página 27 ficamos a saber que o seu romance, “Matriz”, foi triturado pelo editor para libertar espaço no armazém, precisamente no ano em que o romance foi traduzido e publicado na Alemanha. Estou convicto que se o editor publicasse um anúncio num jornal a dizer que ia mandar triturar “Matriz” haveria gente como eu disponível para comprar todos os exemplares. A publicação da sua poesia numa editora online é sinal de que não encontrou editor tradicional disponível no mercado português para a publicação da sua produção poética dos últimos anos.Este país não é muito maior que um sábado de Abril em que muita coisa pode acontecer mas nada nos desvia do caminho inicial. JAE

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