Opinião | 27-11-2013 17:26

Maria da Conceição Rodrigues

Esta semana alguém que me é querido perdeu o telemóvel num curto espaço entre duas casas que ficam quase na mesma rua.

Esta semana alguém que me é querido perdeu o telemóvel num curto espaço entre duas casas que ficam quase na mesma rua. Era novo e tinha sido oferta de aniversário. Meia hora depois de perdido já estava desligado. Quem o encontrou é pessoa que soube reconhecer o dono do aparelho mas não resistiu e ficou com ele apropriando-se de algo que não lhe pertence. Eu sei que neste mundo nada é nosso; que tudo o que temos nos é emprestado: que mais cedo ou mais tarde temos que devolver até o corpo à terra quanto mais os telemóveis e os móveis e as libras que escondemos debaixo do colchão. Não é isso que está em causa; se eu encontrasse na rua um telemóvel perdido, novinho em folha, rejubilava pela oportunidade de o poder devolver ao seu dono; crescia um palmo pela oportunidade de devolver algo que eu saberia que ia ser uma dívida para sempre porque há favores que nunca se pagam. É certo que quem acha e devolve o que não é seu fica com crédito para a vida inteira. Neste caso não foi assim. O/a palerma que achou o telemóvel perdido numa rua comprida de uma vila do Ribatejo acha que teve um dia de sorte. Não teve certamente. Como diz o provérbio “achado não é roubado; mas não devolver é crime”.Conto a história que vivi no passado domingo porque não me esqueci desta: “Maria da Conceição Rodrigues, 74 anos de idade, encontrou na rua um envelope com dois mil e oitocentos euros, sem qualquer indício que permitisse saber quem o tinha perdido. Sem pensar duas vezes entregou-o para que quem o viesse reclamar pudesse recuperá-lo. Tudo aconteceu a 13 de Janeiro. O dinheiro já está na posse de quem o perdeu. Quem o encontrou ficou com a satisfação de se saber pessoa honesta. A recompensa que lhe foi prometida nunca lhe foi entregue.Maria da Conceição Rodrigues pode andar na rua de cabeça levantada. Haverá quem lhe aplauda a nobreza do gesto. Não faltará quem lamente não ter tido a possibilidade de deitar a mão a um envelope cheio de dinheiro sem qualquer identificação do dono. Ela diz que não se arrepende. “Sou muito pobrezinha. Vivo da minha pequena reforma e faço umas limpezas para amealhar mais alguma coisita, para poder ajudar os meus filhos. Há muitas pessoas que dizem que fui burra mas sou incapaz de ficar com aquilo que não me pertence”.Estes são os dois primeiros parágrafos de uma história verdadeira que pode ser lida na edição online de O MIRANTE e que faz parte de uma recolha dos melhores exemplos do “jornalismo de proximidade” que estamos a seleccionar para publicarmos em livro. JAE

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