Opinião | 11-12-2013 17:30

Expectativas em Mação

Quanto contentes estaríamos se não soubéssemos que estão cá os nossos amigos da Troika para mais um exame?

Quanto contentes estaríamos se não soubéssemos que estão cá os nossos amigos da Troika para mais um exame? Bastava que a TV não tivesse o poder que tem para que em Mação nada se soubesse e fossem todos bem mais felizes. O Mirante, sim, este faz falta. Na verdade, a felicidade de cada um é inversamente proporcional à medida das suas expectativas. E estas são fortissimamente potenciadas por tudo o que de “maravilhoso” e efémero nos “vendem”, designadamente na TV. É exatamente por isto, só por isto, que os antigos eram, apesar de tudo, bem mais felizes do que nós. As suas expectativas eram sustentáveis, moderadas e perfeitamente tangíveis no seu mundo. O resto era a felicidade de sonhar, por exemplo, com um automóvel que os iria fazer ainda mais felizes para o resto da vida.Hoje, ao contrário, os nossos “sonhos” não têm limite. E, pior, quando lá chegamos já não nos servem. São as infinitas expectativas que nos tornam infelizes.Nascemos num modelo socioeconómico em que a palavra crescimento, como se de couves se tratasse, é a única válida e aceite, e transportamos isso para a nossa vida. Mais e mais, sempre mais, é o lema. E ai daquele que isto negar.Então, o tal modo de vida sustentável e feliz, na nossa terra – a melhor terra do mundo – parece uma utopia para a maioria urbana (na Europa, 80% das pessoas vivem em cidades), que verdadeiramente vive um sonho mau. Ao contrário, em Mação, e felizmente em muitíssimas outras terras, quem lá está pode viver um sonho bem diferente. A sustentabilidade e autossuficiência local são o caminho. Quando tomamos consciência disto, como nos aconteceu há dias em Idanha-a-Nova, percebemos a verdadeira vantagem de sermos periféricos – bem para cá dos Pirenéus, aquela fronteira rochosa natural que é muito mais que isso. Vivemos no melhor país do mundo, um segredo.Mais do que uma expectativa, temos a convicção que estamos a reaprender verdades e valores que propositadamente nos fizerem esquecer. Nunca foi tão verdade que “os antigos sabiam qualquer coisa que parecemos ter esquecido” (A. Einstein), neste caso sabiam ser felizes. Viviam felizes apesar de muitas vezes terem demasiadas carências. O desequilíbrio é tanto que na cidade nos esquecemos completamente das estações do ano, o Natal começa em outubro e nas “melhores” cidades há patéticas pistas de gelo.A proposta é olhar à volta e ver. Viver tudo o que de muito bom a nossa terra tem para nos dar, fazermos a nossa parte e sermos felizes.Para quê menos que isto? E o mais fantástico é que depende só de nós.(escrito depois de um almoço com Pedro Loureiro, descendente de um ferroviário da Moita que vinha a Lisboa de jangada) Carlos A Cupetocupeto@uevora.pt; Professor na Universidade de Évora

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