Opinião | 20-08-2015 11:38

Trabalhar a terra

Trabalhar a terra

“Assustei-me” quando num daqueles supermercados de todas as terras peguei numas maçãs a 1€/kg com origem no Brasil.

“Assustei-me” quando num daqueles supermercados de todas as terras peguei numas maçãs a 1€/kg com origem no Brasil. Assim que dei conta devolvi as maçãs ao expositor. Como é possível? Que contas são estas? A quantidade de absurdos que está por detrás deste custo é inaceitável. Será que só é crime assaltar um banco? O que irá acontecer, e quando, para repor a verdade e normalidade neste modelo global do mercado?Enquanto isto, as hortas da nossa terra que não foram urbanizadas continuam ao abandono, embora comece a surgir no horizonte algum fumo de mudança. Provavelmente, o surgimento das velhas mercearias de bairro pertence ao mesmo pacote de mudança. Até os mais distraídos ou confortáveis começam a compreender que esta mentira (1€/kg de maçãs do Brasil) não é possível. Tão pouco é moral e eticamente aceitável.Quase como uma reação nas cidades, as hortas urbanas têm registado um enorme sucesso. Muitas pessoas procuram um pequeno talhão onde cultivam alguns legumes. Mesmo nas nossas cidades mais pequenas, onde o campo e o urbano se confundem, a procura dos tais metros quadrados de terra é um sucesso surpreendente. Na verdade, somos terra e mexer na terra é terapêutico e compensador da vida acelerada e distante que levamos. Os felizes exemplos por todo o país comprovam as virtudes da atividade. O sucesso estende-se a outros universos; escolas, fábricas e até a administração pública constituem, igualmente, excelentes exemplos.A prática da horticultura terapêutica em instituições de apoio e acolhimento de crianças e idosos, nomeadamente envolvendo jovens com deficiência, constitui uma opção de pedagogia curativa e atividade lúdica-pedagógica com vantagens na melhoria das condições de saúde e vida dos participantes. Mostra-se que a agricultura urbana contribui para o bem-estar e inclusão social de pessoas desfavorecidas através da produção agrícola e da promoção do espírito de solidariedade e entreajuda. As pessoas que sofrem de problemas psicológicos ou sociais reencontram-se com uma atividade produtiva e de contacto com a natureza, o que contribui para melhoria do bem-estar, elevação de autoestima, desenvolvimento das capacidades psico-motoras, aumento do conhecimento sobre a natureza e aprendizagem e sensibilização sobre o modo de vida rural e respectivos ciclos agrícolas. Nalgumas situações, o fator económico inerente à pequena produção para a casa também deve ser considerado. Por tudo isto, a palavra horta, nas suas diferentes dimensões, tem muito futuro.Se pode dispor de uns metros de terra comece já hoje, não se vai arrepender.Carlos A. Cupeto

Mais Notícias

    A carregar...

    Edição Semanal

    Edição nº 1376
    07-11-2018
    Capa Médio Tejo
    Edição nº 1376
    07-11-2018
    Capa Vale Tejo