Opinião | 14-04-2016 11:48

Terras Sem Sombra

Terras Sem Sombra

“São programas como este que garantem o pulsar da alma da região, e o Tejo bem precisa. Como alguém disse, “é um grito de combate à resignação” que alia a música sacra, o património e a biodiversidade”

Algumas são as razões porque somos um país de excelência em matéria de festivais. Este tema deveria ser olhado mais seriamente, como uma grande oportunidade para o nosso país e, em particular, para o vale do Tejo que tudo tem, e sobeja, para excelentes festivais.Vem isto a propósito do Festival Terras Sem Sombra, uma magnífica iniciativa que percorre algumas terras do Alentejo e que o Tejo deve seguir. Como país caraterizam-nos os bons exemplos que depois não conseguimos generalizar. Esta é daquelas iniciativas que devia ser disseminada por todo o país com grandes benefícios para todos.O Terras Sem Sombra é um festival que este ano está na sua décima segunda edição e que, desde 2003, a partir da Diocese de Beja, espalha cultura da melhor pelo Alentejo. Esta ímpar itinerância cultural a que o Alentejo assiste assenta numa tónica de descentralização como forma de construção da sustentabilidade. São programas como este que garantem o pulsar da alma da região, e o Tejo bem precisa. Como alguém disse, “é um grito de combate à resignação” que alia a música sacra, o património e a biodiversidade. Que mais podemos desejar?As terras do Tejo merecem um festival deste tipo e com este nível. No dia 2 de abril, na Igreja Matriz de Santiago Maior de Santiago do Cacém, assistiu-se à Petite Messe Solennelle de Gioachino Rossini. Depois desta celebração, ficamos com a certeza que a música é a linguagem com que Deus nos fala. Sob a direção musical de Alberto Zedda, uma das maiores figuras da música internacional dos nossos dias, o Coro de Câmara de El Molino (Madrid) e um conjunto de soberbos cantores interpretaram a peça de Rossini de forma divina. Zedda é, só, o maior intérprete vivo da música erudita italiana, um fenómeno no que respeita à obra de Rossini.Fazendo jus à terra onde decorreu a iniciativa, no dia seguinte, em prol da biodiversidade, teve lugar uma pequena caminhada ao longo da famosa Rota de Santiago que, do litoral alentejano, nos conduz à Galiza e depois numa impressionante rota transeuropeia até S. Petersburgo. Como o Alentejo fica aqui ao lado e este festival merece largamente os quilómetros que possa fazer, fica o desafio, e porque não, o convite, para assistir a concertos inolvidáveis, gratuitamente. Até dia 2 julho, terras como Ferreira do Alentejo, Odemira, Serpa, Castro Verde, Beja e Sines vão poder a assistir a magníficos concertos e ações pela biodiversidade, a cultura e a natureza de mãos dadas; imperdível.O próximo concerto é já no sábado, 16 de abril, às 21h30, na Igreja Matriz de Nossa Senhora da Assunção, em Ferreira do Alentejo: Esse Mar; este Sertão: A Música do Brasil no Tempo do Reino e do Império. Ação pela biodiversidade, no dia 17 de abril, às 10h00: a lagoa dos patos, ilha de biodiversidade no oceano olivícola (hospedaria de peregrinos).Carlos Alberto CupetoUniversidade de Évora

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