Opinião | 04-01-2018 10:28

Cidadania e Governança: estruturas de enquadramento territorial

A defesa dos interesses comuns, presentes na riqueza natural e social de uma comunidade, deve ser o mote para a implementação de estruturas concelhias de enquadramento territorial que permitam o envolvimento de cidadãos e agentes de desenvolvimento local.

No contexto em que vivemos, marcado pela crescente concorrência entre territórios e pela imprevisibilidade da economia, é necessário desenvolver estratégias concertadas que contribuam de forma direta para um desenvolvimento local sustentável. Tendo por base os conceitos do Marketing Territorial vamos, neste artigo, refletir sobre a importância da criação de estruturas concelhias de enquadramento territorial.

Só um compromisso partilhado, com o objetivo da valorização das capacidades criativas das pessoas, é capaz de desfazer as desigualdades, de acabar com a desconfiança, bem como, permitir o ressurgimento de novos projetos políticos com visões capazes de dar respostas aos novos anseios da sociedade. O Marketing Territorial, enquanto arte, ciência e técnica de construção e divulgação da imagem do lugar, aponta ao mesmo tempo para os residentes locais, os residentes que se procuram, os investidores que se desejam e os turistas que se esperam (Fernandes, 2008).

O Marketing Territorial “consiste numa análise integradora, na perspetiva do desenvolvimento sustentável. Na prática de promoção territorial destinada a aumentar a visibilidade e notoriedade dos lugares” (Sexto et al., 2001). É uma ferramenta que facilita o trabalho daqueles que desejam planear, de forma estratégica, o desenvolvimento de um território, nomeadamente no que respeita à promoção dos seus atributos, contribuindo para robustecer a sua posição competitiva no mercado, hierarquizando medidas, selecionando ações, potenciando os seus pontos fortes e promovendo o território no exterior, com o intuito de captar novos recursos.

O Marketing Territorial desempenha um papel-chave na identificação das necessidades, desejos e interesses dos diferentes públicos, bem como na procura efetiva da sua satisfação. Miguel Sousa Otto afirma que o desafio do Marketing “requer que se trabalhe a comunidade para que ela satisfaça as necessidades dos seus cidadãos trabalhadores e empresas, obtendo satisfação quanto os visitantes, novos negócios e investidores atingirem as expectativas“ (Otto,1996), tendo em linha de conta que os “territórios são mais do que orçamentos e negócios, eles abrangem pessoas, culturas, herança histórica, património físico e oportunidades” (Kotler et al., 1994), bem como, os recursos endógenos e a capacidade de atratividade de cada comunidade.

Richard Flórida diz que “os cidadãos devem ter a possibilidade de desenvolver as suas capacidades criativas” (Florida, 2005). Assim, ao promover em cada comunidade, um ambiente de cooperação e de interação, tendo como âncora, o desenvolvimento do talento, da tecnologia e da sociabilidade comunitária, estão-se a gerar parcerias territoriais sustentáveis, consequentemente a promover o aparecimento de potenciais novos produtos e, ao mesmo tempo, a melhorar a satisfação dos stakeholders.

Pode-se concluir que a defesa dos interesses comuns, presentes na riqueza natural e social de uma comunidade, deve ser o mote para a implementação de estruturas concelhias de enquadramento territorial. Estas estruturas de enquadramento territorial devem assentar em políticas partilhadas e integradas de desenvolvimento local, favorecendo o envolvimento de todos os segmentos da sociedade.

O envolvimento de cidadãos e de entidades coletivas, nas estruturas de enquadramento territorial, para além de facilitar o alinhamento de estratégias entre os diversos atores locais, permitirá o (re)surgimento de novas dinâmicas de reabilitação urbana, a nível cultural, de lazer e de sociabilidade.

A criação de estruturas concelhias de enquadramento territorial, numa lógica de Marketing Territorial, permitirão aproveitar informações, ideias e recursos das empresas e dos cidadãos e, enquanto motor de inovação, promover e implementar medidas de transição para a sustentabilidade (Social, Económica e Ambiental) no terreno.

José Fidalgo Gonçalves

Investigador Católica-CESOP, Lisboa

jan.2018

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