Opinião | 11-04-2019 07:00

Última Página: Uma classe de impostores

Temos os maiores impostores à frente de organismos públicos e privados que mandam na nossa vida e dispõem de nós como se fossemos peças de um jogo que eles jogam e arbitram ao mesmo tempo.

Portugal tem uma classe política que se descompõe nas televisões, o palco de todas as mentiras, mas que no essencial está unida em volta dos mesmos interesses. Devemos ser o único país da Europa que está sempre em campanha eleitoral. Os partidos enchem o espaço urbano de publicidade e provocam uma poluição que contraria todas as regras do bom senso. Os partidos chamados de esquerda, como é o caso do Partido Comunista e do Bloco, chegam a abusar de forma pornográfica.


Este fim-de-semana assisti em Lisboa a um seminário intitulado Sete Vidas Sete Debates sobre o futuro do jornalismo, e ouvi o mesmo de sempre: “A internet chegou para cumprir um sonho da humanidade mas também para acabar com o jornalismo tal como o conhecemos desde sempre”.
Os jornalistas que aceitam falar do assunto não sabem mais do que sabiam há uma década quando tudo começou a desmoronar-se. Por isso, quando se juntam é para adivinharmos qual deles tem o pior prognóstico; qual deles está mais perto de adivinhar em que braços desgraçados vamos cair.
Uma coisa dou como certa: os jornalistas do reino que nos orientam nestas opiniões continuam a funcionar como os políticos da Assembleia da República; eles só concebem o jornalismo a partir das secretárias das redacções em Lisboa, dos directos e dos dias de trabalho sem tréguas atrás dos políticos que governam a República, ainda que as novidades sejam sempre as mesmas, embora com outras roupagens.
Os jornais dão cada vez menos notícias e publicam cada vez mais opinião. Esta constatação generalizada não merece autocrítica nem discussão que ponha uma plateia em sentido. O Correio da Manhã, o mais temido de todos os jornais em Portugal, começa a ser elogiado, não porque escorre sangue das suas páginas mas porque é o único que cumpre a função de informar. Os outros reconhecem as suas limitações mas não dizem porque não publicam notícias e contentam-se com a opinião folclórica dos colunistas de serviço que, regra geral, são políticos, ex-políticos ou administradores/professores/gestores de empresas públicas.



“O sucesso é fruto de 10% de inspiração e 90% de transpiração”. A frase é de Thomas Edison e tem várias versões. Esta é aquela que eu gosto mais. Relembro-a para fecho desta crónica porque acho uma frase importante para modelo de vida e de trabalho; a verdade é que somos muitos a ignorar ou a inverter a máxima e o seu espírito. A maioria de nós espera tudo da inspiração e da sorte e qualquer coisinha do resultado da transpiração.
É por sermos um povo capado, incapaz de nos unirmos em órgãos de cidadania, medrosos até às canelas, que temos os maiores impostores à frente de organismos públicos e privados, que mandam na nossa vida e dispõem de nós como se fossemos peças de um jogo que eles jogam e arbitram ao mesmo tempo. JAE

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