Política | 12-03-2005 19:02

Regionalização "é receita" para manter unidade do Ribatejo

O presidente da Câmara Municipal de Santarém defendeu este sábado a regionalização como "receita" para manter a unidade do Ribatejo e tornar a região competitiva e não mera periferia da Área Metropolitana de Lisboa.Falando na abertura da nona sessão do III Congresso do Ribatejo, que decorreu no Teatro Sá da Bandeira, em Santarém, Rui Barreiro (PS) introduziu o tema em discussão "Desenvolvimento económico, urbanismo e equipamentos de apoio ao desenvolvimento e cultura, ambiente e qualidade de vida", considerando que a educação e cultura, a participação e cidadania, a regionalização e o ambiente, planeamento e ordenamento do território são caminhos para "recolocar Santarém na trajectória do crescimento".No seu entender, o Ribatejo, "região natural centrada no distrito de Santarém", poderá aproveitar as sinergias das actuais comunidades urbanas da Lezíria e do Médio Tejo e funcionar como uma "unidade de planeamento relevante" no seu relacionamento com a Área Metropolitana de Lisboa, sendo a regionalização fundamental para manter a sua unidade.No painel dedicado ao "desenvolvimento económico", Francisco Madelino, docente do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE), frisou que o Ribatejo precisa de uma centralização, que pode ser protagonizada pela capital de distrito, e da gestão regionalizada dos fundos e apoios para se transformar num espaço dinamizador e evitar transformar-se numa periferia de Lisboa.Para Francisco Madelino, Santarém tem de reflectir como se vai posicionar, se pretende a liderança numa zona com vários pólos de desenvolvimento, alertando para a existência de "algumas variáveis de incerteza" determinantes para a região, como a construção ou não do aeroporto internacional de Lisboa na Ota e a fórmula para que retome os fundos comunitários e os apoios que perdeu no actual Quadro Comunitário de Apoio (QCA).No seu entender, a fórmula encontrada durante o Governo de Durão Barroso para que a região volte a receber fundos comunitários a partir de 2007, ligando a Lezíria ao Alentejo e o Médio Tejo à região Centro, "não foi solução", sublinhando que as verbas perdidas no actual QCA levaram a que parassem investimentos relevantes não só para a região como também para o país, como foi o caso do gás natural.No seu entender, o grande dilema para o concelho de Santarém e para o distrito é se vai ser periférico dentro da Área Metropolitana de Lisboa, que inevitavelmente tem ainda de crescer para ganhar dimensão europeia - no que considerou essencial o novo aeroporto internacional na Ota -, ou se vai ser uma zona de dinamismo.Para Francisco Madelino, o motor do desenvolvimento está nas empresas e nos empresários, cabendo aos decisores políticos apenas garantir a existência das infra-estruturas e dos recursos humanos que sejam atractivos do investimento privado."Os políticos têm cada vez menos instrumentos para influenciar o desenvolvimento económico e cada vez falam mais da sua intervenção, quando a Economia depende de mais variáveis", afirmou.Santarém terá de apostar no ensino superior e na "invenção para a inovação", nomeadamente em sectores ligados à agricultura, o que, aliado à saúde, constituem "os grandes sectores de negócio", devendo ainda aproveitar as potencialidades do Centro Nacional de Exposições e Mercados Agrícolas (CNEMA) para, em parceria com Lisboa, ser pólo de atracção de congressos mundiais.O III Congresso do Ribatejo está a ser promovido, desde Março de 2004, pela Casa do Ribatejo, procurando retomar uma iniciativa que teve a sua segunda edição há mais de meio século, em 1947, dedicada à agricultura.Lusa

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