Política | 06-05-2006 09:34

Oposição critica contas da Câmara do Cartaxo

A discussão das contas de 2005 da Câmara do Cartaxo durante a última assembleia municipal foi protagonizada por uma disputa entre o deputado Vasco Cunha (PSD) e o líder do município, Paulo Caldas (PS). Um duelo verbal que em certos momentos chegou a aquecer bastante.Durante a análise das contas, o deputado social-democrata foi cáustico relativamente à gestão do município. “A Câmara do Cartaxo está a caminhar para uma grave situação financeira e desta forma vai ficar como a sua congénere de Santarém, mas à sua escala”, disparou.Vasco Cunha deu como exemplo o facto de, em seu entender, o património da câmara não chegar para pagar as dívidas até 31 de Dezembro último. Um argumento refutado por Paulo Caldas que afirmou que o património camarário é para gerir e não para vender, negando também que o seu valor seja inferior ao da dívida.O eleito “laranja” não poupou a gestão socialista em 2005. Recordou o resultado líquido negativo do exercício de quase 1,5 milhões de euros e o decréscimo de receitas de impostos de 2,6 milhões de euros face a 2004. Lembrou também que a câmara demora, em média, 199 dias a pagar aos fornecedores, para aludir à dificuldade por que passam muitas pequenas e médias empresas do concelho.“Faltam as prometidas áreas de localização empresarial, há compromissos assumidos com colectividades para construção de sedes, a requalificação prevista da Ribeira do Cartaxo, entre outros. Com comprometimentos de dez milhões de euros, com os apoios comunitários a acabarem e com esta Lei de Finanças Locais em vigor, não vejo um cenário optimista”, concluiu Vasco Cunha.Paulo Caldas defendeu-se e até confessou que a sua alma “estava parva” depois de ouvir a análise de Vasco Cunha às contas da câmara. “A oposição atingiu um ponto de falência técnica. Limita-se a despejar números e não analisa o peso relativo de cada rubrica das contas”, acrescentou.Paulo Caldas justificou o crescimento da dívida da câmara com os investimentos no anterior mandato para aproveitamento dos fundos comunitários disponíveis. “Os investimentos realizados entre 2000 e 2005 provocaram um aumento do número de equipamentos sociais no concelho. O PSD não tem projecto de dinâmica social e perdeu bem as eleições de Outubro”, ripostou o autarca.A CDU seguiu o tom de críticas à maioria socialista. Rogério Coito constatou a elevada mobilidade de entradas e saídas na autarquia, com acréscimo de pessoal na ordem dos 12,2 por cento. O deputado comunista mostrou-se ainda preocupado com os dados do absentismo em 2005 (27 dias em média de faltas por trabalhador). Recordou também que as juntas de freguesia do concelho “se estão a tornar em meros prestadores de serviços, poupando muito dinheiro às finanças e CTT”, analisou.No momento da votação das contas de 2005 os 16 eleitos do PS chegaram para aprovar o documento, face aos votos contra de PSD (5) e do Bloco de Esquerda (1) e às abstenções da CDU (3).

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