Política | 11-05-2006 16:37

Discurso politicamente incorrecto

António Rodrigues criticou Nelson Carvalho por defender a desanexação do Vale do Tejo da Região de Lisboa e a manutenção das comunidades urbanas da Lezíria e Médio Tejo.As críticas que o novo presidente da distrital de Santarém do PS, António Rodrigues, lançou ao seu adversário na corrida, Nelson Carvalho, no discurso de encerramento do congresso distrital do partido não caíram bem em alguns militantes. Houve congressistas que saíram da sala do Teatro Sá da Bandeira, em Santarém, como foi o caso do vereador da Câmara de Almeirim, Pedro Ribeiro. Quando António Rodrigues, num discurso pouco habitual num encerramento de um congresso, disse não perceber o que pretendia Nelson Carvalho ao apresentar uma moção a defender a desanexação do Vale do Tejo da Área Metropolitana de Lisboa, notou-se algum desconforto nos rostos de vários militantes. Rui Carreteiro, de Constância, e José Alho (Ourém), que faziam parte da lista de Nelson Carvalho, deixaram de bater palmas ao discurso do líder. Na moção de Nelson Carvalho (presidente da Câmara de Abrantes) defendia-se uma nova política para o Vale do Tejo que enquadrasse os pólos dinâmicos de desenvolvimento dos espaços sub-regionais do Médio Tejo e da Lezíria do Tejo. Enquanto Rodrigues defendeu a união destas duas comunidades urbanas, dando “maior visibilidade e peso político à nossa verdadeira região – O Ribatejo”. Antes, António Rodrigues, que é presidente da Câmara de Torres Novas, tinha dito que enquanto for presidente da federação distrital a solidariedade social vai ser a bandeira do PS. “Enquanto autarca não posso estar preocupado com os que vivem bem” mas com os mais pobres, salientou. “Queria sair daqui com um partido unido. Mas não pode ser a qualquer preço porque toda a gente é importante no PS”, acrescentou ainda António Rodrigues. Que ao longo da intervenção assumiu várias vezes um tom mais efusivo, batendo com a mão no púlpito. A maior ovação do congresso foi quando Rodrigues homenageou Paulo Fonseca (governador civil de Santarém) pela forma como dirigiu anteriormente a federação distrital. A primeira intervenção foi de Idália Moniz (que desempenha as funções de secretária de Estado da Reabilitação) em representação da direcção nacional do partido. “Temos que começar a trabalhar para conquistar novos municípios e reconquistar os perdidos”, sublinhou, acrescentando que em Santarém – onde foi vereadora e o PS perdeu a câmara para o PSD - “há muito trabalho a fazer”. Idália Moniz avisou que “quando há muito desgaste interno os eleitores não nos perdoam e há que aprender com os erros do passado”. O congresso, que decorreu sábado, teve por objectivo eleger os elementos que compõem a comissão política distrital, a comissão federativa de jurisdição e a comissão de fiscalização económica e financeira. A esses órgãos concorreram duas listas apresentadas pelos candidatos à presidência da distrital. Recorde-se que as eleições directas para a liderança da distrital decorreram no dia 22 de Abril, tendo António Rodrigues derrotado Nelson Carvalho, por 582 votos contra 440.No congresso, onde foram discutidas as moções dos dois candidatos, António Rodrigues obteve 130 votos, elegendo 36 elementos da sua lista para a comissão política distrital. Enquanto Nelson Carvalho obteve 92 votos, elegendo 25 mandatos. Na comissão federativa de jurisdição e na comissão de fiscalização económica e financeira, António Rodrigues coloca, em cada, quatro elementos e Nelson Carvalho três.

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