Política | 04-05-2009 07:33

Relatório de gestão da Câmara de Coruche aprovado com críticas

A prestação de contas e relatório de gestão da Câmara de Coruche referentes ao ano de 2008 foram aprovados pela assembleia municipal com 15 votos a favor, nove contra e quatro abstenções.Na discussão dos documentos a oposição constatou o facto de 2008 ter sido o ano de mais fraco investimento da autarquia desde 2002 e que esse valor apenas aumenta em ciclo eleitoral. Pela CDU, Armando Rodrigues lembrou que o PS não conseguiu camuflar o fraco nível de execução orçamental, enquanto prossegue a política de esbanjamento em campanhas e festejos que soma cerca de “500 mil euros”. Uma situação que o líder camarário, Dionísio Mendes (PS) refutou, lembrando que o subsídio maior foi atribuído à Comissão das Festas de Coruche. Mas não revelou quanto se gastou noutros eventos.Armando Rodrigues fez ainda questão de enumerar um conjunto de obras que o executivo se comprometeu a fazer em 2008 e que estão por fazer ou que apenas se iniciaram em 2009. “Falou que o centro escolar de Coruche estaria pronto, que o edifício administrativo do estádio municipal estaria feito. Está por fazer a requalificação do mercado municipal que era para arrancar em 2008, enquanto a estação central de camionagem está parada desde Fevereiro de 2007”, exemplificou. Não se esquecendo que a promessa de apoio à construção de uma nova sede para a Sociedade de Instrução Coruchense é bandeira que está há oito anos por cumprir e que, até o quartel de bombeiros, “prometido” pelo governador civil Paulo Fonseca em 2008, está por arrancar. “Isto só revela que o PS está em fechar de ciclo e não tem mais nada para dar”, concluiu.Por parte do PSD, Francisco Gaspar referiu que a taxa de execução do plano plurianual de actividades se ficou por 62 por cento e que o investimento baixou 60 por cento desde 2005, ano de eleições.Para o vogal social-democrata é ainda preocupante que as despesas correntes tenham aumentando de 2001 para 2008 de 8,6 milhões para 12,4 milhões de euros, e que haja sinais de precariedade para alguns trabalhadores camarários, já que em 2002 havia 40 contratados a termo, face aos 62 de 2008. “O lançamento de obras de quatro em quatro anos não pode ser a regra. Por isso o PSD não aprova estas contas”, revelou Francisco Gaspar, indicando a abstenção. O presidente da autarquia confirmou que 2008 foi um ano de desaceleração de investimentos mas que isso se deveu à diminuição de receitas próprias e à não disponibilização de verbas de fundos comunitários. Considerou ainda que ir buscar dinheiro à banca não é solução.Segundo Dionísio Mendes, apesar da crise, há bons indicadores económico-financeiros evidenciados pela câmara em 2008, como o decréscimo nas despesas com pessoal, em particular das horas extraordinárias, “dois terços do que era em 2001”. Realçou ainda que a dívida da autarquia em 2008 era de 1,795 milhões de euros e que o endividamento de médio e longo prazo só está preenchido em 51 por cento.No capítulo negativo registou a diminuição de impostos como o IMT (-58 por cento), Derrama (-50 por cento) e taxas diversas (-49 por cento), além do aumento das despesas correntes (6,3 por cento), com combustíveis, electricidade, transportes, refeições escolares e juros de empréstimos.“Foi possível obter um saldo da conta de gerência de 2,618 milhões de euros que vão ser incorporados em rubricas de 2009 que precisamos de reforçar. Ainda assim, em 2008 concluimos as obras do emissário e da estação de tratamento de Coruche, fizemos a reabilitação do pavilhão desportivo municipal, a construção de campos e relvados sintéticos e concluimos o Observatório da Cortiça”, exemplificou.

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