Política | 20-05-2009 13:42

Elogios de Moita Flores a Paulo Fonseca caem mal no PSD

O presidente da Câmara Municipal de Santarém, Francisco Moita Flores (PSD), deixou um rasgado elogio público ao socialista Paulo Fonseca na hora da despedida deste como governador civil de Santarém. Fonseca sai do cargo para se dedicar à sua candidatura à presidência da Câmara de Ourém pelo PS. Foi na sua habitual crónica semanal - publicada aos domingos no Correio da Manhã e onde raramente aborda assuntos da região - que Moita Flores escreveu que Paulo Fonseca foi “o melhor governador civil que alguma vez conheci”. O texto laudatório, publicado no dia seguinte à apresentação oficial do candidato do PSD à Câmara de Ourém Vítor Frazão, caiu mal no seio das hostes social-democratas locais e não só. E está a ser explorado politicamente pelo PS de Ourém, que tratou de o difundir por correio electrónico e no site da candidatura de Paulo Fonseca. Porque na época pré-eleitoral que se vive, todos os detalhes e pormenores contam.Num discurso crítico relativamente à acção dos governos civis, Moita Flores não poupou nos encómios a Paulo Fonseca: “(…) teve o talento de tornar uma inutilidade numa utilidade. Numa instituição com capacidade de intervir e mobilizar a atenção das pessoas, do governo e do país para problemas sérios. O seu combate contra a sinistralidade rodoviária no distrito de Santarém ganhou a agenda nacional e política”.No texto, Moita Flores reafirma a sua independência partidária – “respeitando o partido que me apoia” - e ataca alguma classe política ao dizer que Paulo Fonseca é uma “excepção”. Como regra, o autarca de Santarém aponta “um longo e preguiçoso bocejo de militantes partidários sem emprego mais razoável à mão”. E conclui: “Por isto mesmo, não poderia despedir-me dele sem este abraço público e agradecido. Um exemplo, entre muitos outros, de que a política não é exclusivamente habitada por coirões e oportunistas sem escrúpulos”.Em declarações a O MIRANTE, Moita Flores revela alguma surpresa pelo desconforto que o seu artigo possa ter causado junto de militantes do PSD. “Não sabia que a campanha já tinha começado em Ourém”, afirmou, acrescentando: “Fiz o que a minha consciência me mandou. Foi-se embora um bom governador civil, que teve um papel importante. E o sentido de serviço público obriga-me a enaltecer o trabalho dele. O resto é poeira política”.Esta não é a primeira vez que Moita Flores deixa elogios a políticos socialistas. Para além de alguns membros do Governo, também os presidentes das câmaras de Azambuja, Cartaxo e Rio Maior têm sido objecto de apreciações simpáticas da sua parte. A última foi sexta-feira em Lisboa durante a apresentação do romance do presidente da Câmara do Cartaxo Paulo Caldas (PS).O estatuto de independente que mantém e faz questão de sublinhar dá-lhe essa margem confortável, mas a verdade é que Moita Flores também dá palpites sobre a vida interna do PSD quando entende ser necessário. Uma das intervenções mais notórias foi quando apoiou publicamente Vasco Cunha à liderança da distrital do partido. Nessa altura envolveu-se numa polémica com João Moura, vereador na Câmara de Ourém que era o outro concorrente e acabou por ser derrotado.Em Outubro de 2007, Moita Flores dizia que ao ler o manifesto eleitoral de João Moura percebeu que, se este ganhasse a distrital “laranja”, ficaria impedido de se recandidatar ao município escalabitano pois confessava “não saber de cor e salteado o valor de um quilo de arroz ou o preço do bilhete de comboio entre Entroncamento e Santa Apolónia”. Exemplos de ligação à realidade social que a candidatura de João Moura considerava deverem ser atributos dos candidatos.Curiosamente, ano e meio depois Moita Flores anunciou a recandidatura à Câmara de Santarém pelo PSD, numa cerimónia para a qual não foi convidado o presidente da distrital do PSD, Vasco Cunha, que anteriormente apoiara.

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