Política | 19-12-2010 00:04

Moita Flores questiona gestão da Resitejo

O presidente da Câmara de Santarém questionou na última assembleia municipal os moldes de gestão da Resitejo, associação intermunicipal responsável pelo tratamento de lixo doméstico de vários concelhos da região. Após ter sido questionado pela oposição sobre quando pensa a Câmara de Santarém pagar a dívida de cerca de 1,8 milhões de euros à associação, Moita Flores disse que é intenção da autarquia pagar mas referiu também que jamais ouviu na assembleia alguém questionar a gestão da Resitejo. Designadamente se é uma gestão feita por gestores competentes ou uma gestão partidária partilhada pelo PS e pela CDU. A Resitejo - Associação de Gestão e Tratamento dos Lixos do Médio Tejo tem como presidente do conselho de administração o presidente da Câmara de Chamusca, Sérgio Carrinho (CDU), e como administrador-delegado Diamantino Duarte, um militante do PS de Santarém que no anterior mandato foi presidente da Junta de Freguesia de Tremes. Moita Flores recordou que a Câmara de Santarém é o maior município da Resitejo e o que mais paga pela deposição do seu lixo em aterro, mas esse peso não se reflecte nos órgãos sociais nem na administração da associação, já que a autarquia detém apenas a presidência da assembleia geral. “Santarém é hoje líder regional incontestada mas na Resitejo não passa de um verbo de encher graças ao compadrios, às conivências e às cumplicidades entre o PS e o PCP”, afirmou o autarca, dizendo que o mesmo se passa na Comunidade Intermunicipal da Lezíria do Tejo. “Assim, somos presidentes da assembleia geral e pagamos aquilo que a gestão socialista da Resitejo quer que a gente pague. Pague e não pie. Nem podemos interpelar directamente todos os dias que gestão é aquela?”, declarou o autarca acrescentando que “pelos vistos está tudo conformado com a gestão da Resitejo”. As declarações de Moita Flores foram proferidas sexta-feira durante a discussão, na assembleia municipal, sobre a contracção de um empréstimo de meio milhão de euros pela Resitejo, que foi aprovada por unanimidade. Essa operação destina-se a fazer face a dificuldades de tesouraria decorrentes de dívidas acumuladas por alguns municípios associados e outros clientes, que já ascendem a 5,5 milhões de euros. Só a Câmara de Santarém deve cerca de 1,8 milhões de euros, o que levou Carlos Nestal (PS) e Pedro Malaca (BE) a perguntarem a Moita Flores na assembleia municipal quando achava haver condições para liquidar essa verba. O presidente disse que quando chegou à câmara, em 2005, a dívida era de cerca de 2 milhões de euros tendo sido amortizada através de um plano de pagamento. E garantiu que a actual dívida também é para pagar. O empréstimo em causa tem que ser aprovado pela maioria dos municípios que integram a Resitejo. Até à data, só o executivo da Câmara Municipal do Entroncamento recusou, por unanimidade, dar o seu aval à operação. Os autarcas do Entroncamento não aceitam que o seu município tenha de arcar com as consequências das dívidas de outros. A Câmara de Tomar acabou por autorizar o empréstimo mas vai reflectir sobre a sua permanência na Resitejo. O sistema de resíduos da Resitejo entrou em funcionamento em Maio de 1999 e serve uma população de 216.513 habitantes. É constituído por um aterro sanitário e uma central de triagem, situados na Carregueira (Chamusca). Os municípios que constituem a empresa são: Alcanena, Chamusca, Constância, Entroncamento, Ferreira do Zêzere, Golegã, Santarém, Tomar, Torres Novas e Vila Nova da Barquinha.

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