Política | 21-09-2017 13:18

Presidentes de câmara são eleitos por minorias de eleitores devido à abstenção

A gestão de alguns municípios foi legitimada por apenas um quinto dos recenseados.

Em Salvaterra de Magos, concelho que em 2013 tinha 18.894 eleitores, o PS venceu as eleições com apenas 2.828 votos. Na prática isso significa que a gestão do município está mandatada por 14,96 por cento (%) dos cidadãos com direito a voto. Aquele concelho foi um dos três do distrito de Santarém onde a abstenção foi superior a 50 por cento, mais propriamente 54,3 %.

O concelho recordista em termos de abstenção foi Benavente. Ali a percentagem dos que optaram por não exercer o seu direito de votar foi de 59,07 %. Dos 22.965 eleitores inscritos nos cadernos eleitorais apenas votaram 9.399 e desses votos, 856 foram para o lixo. Uns por estarem em branco e outros por terem sido considerados nulos. Para conseguir uma significativa maioria absoluta (51,26%) a CDU só precisou dos votos de cerca de um quinto dos cidadãos recenseados (4.818).

No Entroncamento, onde estavam recenseados 17.263 eleitores, só foram votar 8.555. Aquele facto fez com que a maioria absoluta do PS tenha sido conseguida por apenas 3.590 votos, ou seja, só 20,79 % dos eleitores escolheram a actual maioria municipal.

Os efeitos da elevada abstenção acaba por fragilizar a autoridade de muitos presidentes eleitos. Na Chamusca, Paulo Queimado (PS) foi eleito numa lista que recebeu apenas 1.795 votos. No concelho tinham direito a voto 8.760 cidadãos. Na prática isso significa que o autarca que exerce legitimamente as suas funções, apenas foi mandatado por um quinto dos munícipes. A abstenção foi de 38,64%.

Nos concelhos de Ferreira do Zêzere e Mação, por exemplo, que têm menos eleitores que a Chamusca mas onde a abstenção foi menor, os presidentes de câmara precisaram de mais de 2.500 votos para serem eleitos.

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