Política | 02-11-2017 10:27

Santarém deve prevalecer sobre os ódios e interesses pessoais

Santarém deve prevalecer sobre os ódios e interesses pessoais

No rescaldo das autárquicas em Santarém, Ramiro Matos, advogado, ex-vice-presidente da câmara, ex-dirigente do PSD, fala do processo eleitoral com duras críticas à liderança concelhia do seu partido, a quem sugere que saia de cena.

P. Foi um dos homens do núcleo duro da candidatura de Ricardo Gonçalves à Câmara de Santarém em 2013 e em 2017. Nestas últimas eleições autárquicas esperava um resultado tão bom, com maioria absoluta, tendo em conta as divisões dentro do PSD?

R. O resultado eleitoral de 2017 não me surpreendeu. Tinha a certeza que as pessoas, acima de tudo, acreditavam no Ricardo Gonçalves. As questões partidárias dizem pouco às pessoas.

P. Mas essas divisões internas chegaram a colocar em causa a recandidatura de Ricardo Gonçalves.

R. Sim. O presidente da concelhia ameaçou o presidente Ricardo Gonçalves que, se não aceitasse determinadas condições, não seria candidato.

P. Foi uma questão de lugares nas listas?

R. Sim. Não vi uma disputa de ideias para Santarém, que seria legítima, mas sim de lugares. Em que se impuseram lugares na câmara – o segundo, o quinto, o sexto – e a assembleia municipal toda, quando inicialmente estava previsto de outra forma. Nenhum dos elementos da assembleia municipal cessante foi convidado pela comissão política concelhia para continuar.

P. Sente-se magoado por o partido não o ter convidado, já que foi o líder da bancada do PSD na assembleia municipal no último mandato?

R. Não me sinto magoado porque o partido é muito mais do que as pessoas que a dado momento estão à frente dele. Fui presidente da concelhia do PSD durante seis anos, quando conseguimos conquistar a câmara, e fui vereador da oposição. Há aqui uma série de pessoas que chegou há meia dúzia de anos ao partido e não sabe das dificuldades que tivemos antes de 2005, quando estávamos na oposição.

P. Quer dizer com isso que os actuais dirigentes da concelhia do PSD tiveram a papinha toda feita nos últimos processos eleitorais?

R. Não só os dirigentes. As pessoas que estão neste novo mandato a desempenhar cargos, nomeadamente autárquicos, chegaram numa altura em que as coisas são muito fáceis e em que, por força do Ricardo Gonçalves, o PSD continua no poder. Neste momento, ser dirigente do PSD é muito mais fácil do que foi na minha altura, com o partido na oposição.

Entrevista completa na edição semanal de O MIRANTE AQUI

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