Política | 26-01-2018 21:08

Governo determina remoção de sedimentos no Tejo e redução da actividade da Celtejo

"Temos no Tejo um problema de poluição que se torna visível no açude de Abrantes, mas que tem a sua origem a montante", afirmou o ministro do Ambiente


A remoção da espuma que cobre o Tejo em Abrantes, a redução da actividade da empresa Celtejo e a retirada de sedimentos do fundo de albufeiras foram medidas hoje anunciadas pelo Governo devido à poluição registada recentemente no rio.

Numa conferência de imprensa em Abrantes, após uma reunião com várias entidades, o ministro do Ambiente, João Matos Fernandes, referiu que foram mobilizados seis camiões para a remoção da espuma nas margens do rio Tejo, junto ao açude de Abrantes.

Estes camiões estiveram em testes ao final da tarde e no sábado "iniciarão a sua função de forma regular".

O governante afirmou que "não se resolve desta forma o problema da poluição", mas será "reduzido em parte o seu impacto visual" e impedido que a mesma poluição proceda para jusante".

"Temos no Tejo um problema de poluição que se torna visível no açude de Abrantes, mas que tem a sua origem a montante", observou o ministro, tendo referido que, nos últimos três dias, as autoridades realizaram análises à agua e à espuma, cujos resultados estarão disponíveis na próxima quarta-feira (21 Janeiro).

Foram ainda colocados "amostradores durante 24 horas nas três maiores ETAR (Estação de Tratamento de Águas Residuais) perto do local onde nos encontramos e nas três maiores indústrias a montante no rio", prosseguiu, afirmando que nesta outra medida de intervenção "os resultados das análises em contínuo estarão disponíveis na segunda-feira, dia 05 de Fevereiro".

Segundo o ministro, "o fenómeno da poluição que hoje sentimos no Tejo é resultado da libertação da matéria orgânica depositada sob a forma de sedimentos no fundo das albufeiras do Fratel e de Belver, provocada por anos de funcionamento das indústrias aí localizadas e da reduzida precipitação do último ano, que não diluiu essa carga orgânica.

Mais disse que "a regular actividade de produção de energia dos últimos dias, com elevados mas normais caudais, provocou a sua libertação".

No sábado tem também início um levantamento topo-hidrográfico para determinar a quantidade de sedimentos que é necessário retirar do fundo das albufeiras de Fratel e Belver.

"Temos de reduzir a matéria orgânica existente nestas duas albufeiras", afirmou o ministro, referindo que a empresa de celulose Celtejo (que opera no concelho de Vila Velha de Ródão, já no distrito de Castelo Branco), foi notificada para reduzir em 50% o volume de efluente rejeitado, o que obriga a uma redução da sua actividade durante 10 dias.

O ministro explicou que "nessa data, passados 10 dias, o valor do oxigénio dissolvido, parâmetro básico da qualidade da água, terá de atingir os cinco miligramas (mg) por litro", afirmou o governante, tendo Matos Fernandes dado "como ponto de comparação" que "aqueles valores eram, no dia 24, de 1,1 miligrama por litro".

O governante adiantou que, "se passados estes 10 dias (...) o valor de 5 mg não for atingido, pode ser reduzido ainda mais o volume de efluente rejeitado, podendo chegar-se à suspensão temporária da laboração".

João Matos Fernandes sublinhou, contudo, que não está a ser atribuída responsabilidade directa à Celtejo no mais recente incidente de poluição no Tejo, registado desde quarta-feira.

"Estamos a afirmar que o Tejo mudou. Tem menos água, menos capacidade de dissolver a matéria orgânica e não suporta a carga orgânica que hoje está a receber", disse.

Por isso, na próxima quinta-feira arranca uma limpeza dos fundos das albufeiras, que demorará cerca de um mês, de acordo com a previsão do Governo.

Entretanto, referiu o ministro do Ambiente, a eléctrica EDP "comprometeu-se a reduzir a sua actividade de turbinamento ao caudal mínimo, conservando a água nas albufeiras enquanto se procede à limpeza dos fundos".

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