Política | 27-06-2018 18:07

Presidente da Câmara de Vila Franca quer aeroporto militar e civil em Alverca

Presidente da Câmara de Vila Franca quer aeroporto militar e civil em Alverca

O autarca considerou que a pista de três quilómetros junto ao complexo industrial situado em Alverca tem todas as condições para apoiar o Aeroporto de Lisboa.

O presidente da Câmara de Vila Franca de Xira, Alberto Mesquita, defendeu hoje a transferência do aeródromo militar de Figo Maduro para Alverca, bem como da aviação executiva de Lisboa, cujo aeroporto que se encontra “saturado”.

O autarca considerou que a pista de três quilómetros junto ao complexo industrial situado em Alverca tem todas as condições para apoiar o Aeroporto Humberto Delgado (Lisboa), recebendo também aviação comercial e de recreio, além de servir para formação.

A medida, sustentou, permitiria “libertar um grande espaço” na Portela e rendibilizar as condições existentes em Alverca, “com benefício” para toda a Área Metropolitana de Lisboa.

“Acho que o futuro da OGMA passa justamente por essa visão de rendibilização deste complexo e sobretudo da pista”, disse o autarca, sublinhando que Alverca tem ainda a seu favor o facto de ter uma unidade militar, a Alfândega e o posto do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras.

Seria também uma forma de desenvolver o comércio, a restauração e a hotelaria no município, captando para a região um pouco do fluxo turístico de Lisboa, bem como a instalação de outras empresas, com a criação de “um aeroporto geral”, onde possa coexistir a vertente civil com a militar.

Alberto Mesquita considerou que nestes cem anos a empresa teve “uma importância capital” para o concelho e para o país, estando hoje “na linha da frente” da indústria aeronáutica.

“É bem possível encontrarmos soluções que permitam rendibilizar ainda mais esta indústria. A OGMA, com a unidade militar que lhe está associada, que é o depósito geral da Força Aérea, consiste num propósito que ainda tem muito para ser explorado”, afirmou.

Alberto Mesquita recordou que as oficinas recebem aeronaves de todo o mundo para reparação. “Há aeronaves que são construídas e que vão também para vários países clientes da OGMA”, acrescentou.

As visitas de embaixadores às instalações da OGMA são frequentes, o mesmo sucedendo com alguns chefes de Estado e representantes governamentais.

“Vêm aqui ver as suas aeronaves. Vêm muitos ministros das forças aéreas. São negócios que se vão fazendo e ficam sempre surpreendidos com a capacidade técnica que a OGMA oferece”, acrescentou.

Para o autarca, o centenário deve constituir um ponto de viragem na optimização do espaço de 440.000 metros quadrados, nomeadamente da pista militar com cerca de três quilómetros de extensão.

“Naquela pista aterra qualquer aeronave, desde os Antonov [dos maiores aviões de carga do mundo], até qualquer outra aeronave de grande porte. É uma pena não a rendibilizarmos melhor”, acentuou.

“É verdade que já se tomou uma decisão de a complementaridade do Humberto Delgado passar para o Montijo, mas as dificuldades são agora, no presente, e o aeroporto no Montijo levará ainda algum tempo a fazer”, referiu.

O presidente do município lembrou que as antigas Oficinas Gerais de Material Aeronáutico passaram por um momento conturbado, com “muitos despedimentos”, antes da entrada de capital estrangeiro, o que teve um forte impacto social no concelho.

“Hoje, com esta parceria com a EMBRAER e com as condições que o complexo tem, acho que podemos ir muito mais longe”, vaticinou.

E como “sonhar não custa dinheiro”, frisou, gostaria também de ver transferida para Alverca toda a manutenção da TAP.

“Muitos dos bons especialistas que estão na TAP, na área da aeronáutica, foram formados na OGMA. De modo que isto é tudo, às vezes, uma conjugação”, disse.

A OGMA foi fundada a 29 de Junho de 1918. Ocupa uma área de 440.000 metros quadrados, em Alverca do Ribatejo, na margem ocidental do rio Tejo, a cerca de 25 quilómetros de Lisboa.

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