Saúde | 10-03-2005 18:23

Deco diz que ambientadores são nocivos para a saúde

A associação de defesa dos direitos dos consumidores DECO reafirmou hoje que os ambientadores e velas de cheiro são nocivos para a saúde e anunciou que vai recorrer da decisão judicial que considerou o alerta precipitado."Não retiramos uma vírgula às conclusões do estudo que divulgamos em Novembro passado", afirmou à agência Lusa o secretário- geral da DECO, Jorge Morgado.O estudo foi realizado pela federação europeia de associações de consumidores (Bureau European de Union dês Consumateurs), da qual faz parte a DECO, em cinco países europeus, incluindo Portugal.O resultado dos testes a 76 ambientadores e produtos aromáticos foram divulgados no final do ano passado, indicando que eram todos nocivos para a saúde e alguns tinham substâncias cancerígenas.Algumas das empresas que comercializam os produtos testados interpuseram uma acção num tribunal holandês para contestar os resultados dos testes.Terça-feira passada, o Tribunal Distrital de Haia deliberou que o estudo da Associação Europeia de Consumidores não permite concluir que os ambientadores testados libertam substâncias químicas em quantidades perigosas para a saúde pública.A deliberação do tribunal teve por base o parecer de um instituto de investigação holandês."O que está em causa são os critérios usados nos testes das associações de consumidores e o instituto holandês, que são diferentes", explicou à agência Lusa o secretário-geral da DECO.Os testes feitos pelos defensores dos consumidores basearam-se numa metodologia testada há muitos anos, segundo Jorge Morgado, e analisaram não só a composição química dos produtos mas também os poluentes secundários gerados pela libertação dos químicos no ar."Quando um produto é libertado no ar entra em contacto com outros gases e isso tem efeitos. Foi isso que testamos. Analisámos a qualidade do ar de diferentes compartimentos de uma casa, onde previamente se tinha deixado actuar os produtos", adiantou.Os testes do instituto holandês valorizaram mais a composição dos produtos e confrontaram os resultados com os limites de poluentes impostos por uma directiva comunitária para o ambiente de trabalho."Já há algum tempo que se reconhece que a directiva estabelece valores muito baixos para o ambiente de trabalho. Por outro lado, não havendo lei para os ambientes domésticos, recorremos às recomendações da Organização Mundial de Saúde para os ambientes em casa, que são específicos por ai viverem crianças, doentes ou idosos", explicou Jorge Morgado.O secretário-geral da DECO adiantou que a confederação das associações europeias de consumo reafirma os resultados das conclusões do estudo divulgado no final do ano passado e que "não retira uma vírgula"."Além do mais estamos a preparar um recurso para o tribunal holandês, que deverá ser entregue na próxima semana", adiantou.Aquele estudo da federação analisou em Portugal 30 produtos, como os aerossóis e os vaporizadores, o gel, os difusores eléctricos e as velas, tendo 22 recebido nota negativa e 16 registado substâncias cancerígenas.O estudo concluiu ainda que os ambientadores usados em casa podem causar alergias e irritações e que os mais perigosos são os que funcionam por combustão, como as velas, e os difusores eléctricos.Muitas das marcas testadas são vendidas em Portugal, nomeadamente a Ambipur, Brise, Carrefour, Air wick, Auchan/Continent e Regitteo.

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