Saúde | 13-01-2017 12:12

“Aqui ninguém pode ficar sem assistência por falta de médico”

“Aqui ninguém pode ficar sem assistência por falta de médico”

João Pita Soares, coordenador da Unidade de Saúde Familiar Almeida Garrett de Santarém.

A USF obteve a acreditação com nível bom de qualidade, na prática o que é que os utentes beneficiam com isto? Esta acreditação tem como objectivo colocar o utente no centro do sistema. Toda a organização, toda a forma de actuar dos profissionais e a orgânica da unidade gira em torno do utente, que é o principal actor. Para o utente ter uma unidade acreditada tem a vantagem que é a garantia de qualidade, em que todos os profissionais agem de uma forma semelhante. Um diabético, por exemplo, será atendido da mesma forma por qualquer um dos médicos.


Esta acreditação gera uma boa imagem pública. Isso é importante para captar profissionais? Havendo um lugar aberto é natural que apareçam uns 50 profissionais a candidatarem-se. Desde que foi pública a acreditação já recebemos vários pedidos de médicos mas não temos lugar para eles. O quadro, de sete médicos, sete enfermeiros e seis administrativos, está completo. Na USF o número de profissionais está definido em função da população.


E os sete médicos chegam para as necessidades? Se tivéssemos mais um médico trabalharíamos mais folgadamente. Mas não é esse o princípio das USF, que foram implementadas para colmatar a falta de médicos. Neste modelo assumimos que vamos atender a população mesmo que falte um médico, por doença ou outro motivo, porque os outros profissionais têm de garantir o atendimento dos doentes. Aqui ninguém pode ficar sem assistência por falta de médico. Garantimos a intersubstituição e o utente é utente da USF e não do médico específico, embora se mantenha a ligação médico-doente.


Um utente de uma Unidade de Saúde Familiar está numa posição mais vantajosa que um de um centro de saúde. Para um doente de um centro de saúde que num dia não tem médico, porque faltou, só lhe resta ir-se embora sem ser atendido. Enquanto numa USF pode não ser atendido pelo seu médico habitual mas não se vai embora sem ser consultado.


Isto só prova que se os médicos forem incentivados e forem recompensados trabalham mais.Os médicos neste modelo B de USF são pagos por incentivos, que tem a ver com a dimensão da lista de utentes que temos e a sua idade. Depois há objectivos e os médicos são avaliados por metas e objectivos.

* Notícia desenvolvida na edição semanal de O MIRANTE. AQUI

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