Saúde | 01-11-2018 12:06

Em Santarém o número de casos de AVC é superior à média nacional

Em Santarém o número de casos de AVC é superior à média nacional
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O AVC, Acidente Vascular Cerebral, é a doença que mais mata em Portugal e no distrito de Santarém a média de prevalência da doença é superior à média nacional, que são três novos casos por dia. Para o cardiologista Vítor Martins, com quem falámos a propósito do Dia Mundial do AVC, que se assinala a 29 de Outubro, trata-se de um problema cultural que só se vai resolvendo com a educação das pessoas e com campanhas de sensibilização e de alerta para os riscos.
Apesar de Portugal ser o país da Europa Ocidental com a mais elevada taxa de mortalidade por AVC, sobretudo na população com menos de 65 anos de idade, Vítor Martins refere que nos últimos anos tem havido uma diminuição de casos. E aponta duas razões para tal: primeiro porque a principal causa do AVC é a hipertensão e a hipertensão é hoje melhor controlada; depois porque a segunda causa de AVC são as arritmias, e também neste caso tem havido subtanciais progressos, quer no diagnóstico quer no tratamento desta patologia, sobretudo da fibrilhação auricular, que é a mais perigosa.
De acordo com o clínico, que é responsável pela Unidade de Arritmologia do Hospital de Santarém e director clínico e coordenador do Laboratório de Holter da Clínica do Coração de Santarém, 30% dos AVC em Portugal são provocados por um pequeno coágulo que sai do coração e que se vai alojar no cérebro. “Se conseguirmos evitar que a pessoa venha a ter esses coágulos vamos evitar o AVC. Isto é, há cerca de 30% dos AVC que podemos evitar se o paciente for tratado atempadamente”, explica.
A fibrilhação auricular, o tipo de arritmia que conduz mais frequentemente ao AVC, afecta 2,5% da população portuguesa. Há muitos casos de AVC que são um mistério para os médicos. Quando o paciente não tem hipertensão, nem factores de risco e mesmo assim tem um episódio de trombose cabe ao médico investigar as causas e, invariavelmente, a origem está numa arritmia não diagnosticada.
Para Vítor Martins é muito importante diagnosticar a arritmia e tratá-la. “Hoje é possível implantar pequenos dispositivos nos doentes para diagnosticar as arritmias, são os chamados detectores de eventos implantáveis, pequenos dispositivos que registam permanentemente os movimentos cardíacos do paciente e que o podem fazer durante cerca de três anos”, refere, acrescentando que há tratamento curativo. “Faz-se um cateterismo cardíaco em que se corta o circuito que está a provocar a arritmia”, explica o médico.
O AVC tem prevalência nos homens. Vítor Martins explica que, até à menopausa, a mulher está protegida do ponto de vista hormonal e apresenta menor risco cardiovascular que o homem. “Os homens têm oito a dez anos de atraso. Por isso é que a longevidade para a mulher é cerca de oito anos maior que a do homem”.
O clínico refere, no entanto, que mais importante do que o género é o estilo de vida que se tem. “A nossa alimentação não é tão saudável como pensamos que é. Estamos a perder a dieta mediterrânica, considerada uma das mais saudáveis, porque não temos tempo para nos alimentarmos. Almoçamos a correr, comemos comida rápida, não digerimos bem os alimentos, comemos mais sal do que devíamos, ingerimos alimentos processados… e tudo isto provoca o aparecimento de factores de risco, como a hipertensão e o colesterol”, refere, acrescentando que o sedentarismo vem amplificar estes factores de risco.
Outro amplificador dos factores de risco é o stress. Vítor Martins afirma que temos que saber conviver com o stress, porque ele é inerente à vida. E isso consegue-se com um estilo de vida mais saudável, com tempo para fazer o que mais gostamos, com exercício e com técnicas de relaxamento.

O que é o AVC e como se manifesta

O AVC acontece quando uma parte do nosso cérebro deixa de receber sangue. Pode ser um AVC isquémico, em que há um bloqueio do fluxo de sangue, normalmente causado por um coágulo, ou hemorrágico, que acontece quando o cérebro é inundado por sangue a partir de uma artéria que se rompe. O isquémico é o mais frequente, representando 4/5 do total de casos. Os sintomas normalmente associados ao AVC são dor de cabeça súbita intensa, fora do habitual, tonturas, também fora do habitual, dificuldade em falar, alteração de comportamento, perda de força muscular ou da sensibilidade numa parte do corpo. Mais raramente pode haver um desmaio ou tensão arterial muito alta. Em qualquer dos casos o procedimento correcto é ligar o 112 ou ir de imediato a uma urgência hospitalar.

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