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Benfica do Ribatejo quer regressar ao campeonato

Presidente do clube queixa-se de perseguição por parte da associação

O Benfica do Ribatejo sente-se prejudicado pela Associação de Futebol de Santarém e quer que a equipa regresse ao campeonato, pretensão negada prontamente pelos responsáveis associativos. O presidente do clube do concelho de Almeirim quer também que se faça uma auditoria à associação.

Edição de 07.01.2004 | Desporto
O presidente do Benfica do Ribatejo, clube que à oitava jornada desistiu do Campeonato Distrital da Primeira Divisão da Associação de Futebol de Santarém (AFS), diz que os responsáveis pelo organismo que tutela o futebol deste distrito tudo fizeram para que o clube abandonasse o campeonato e agora quer que a associação assuma as culpas e permita que o Benfica do Ribatejo regresse ao campeonato.Em declarações ao nosso jornal, Alves Gomes refere que quando enviou a carta a solicitar a retirada do clube do campeonato era apenas para forçar uma reacção da AFS às várias denúncias que o Benfica do Ribatejo tinha feito e que até então não tinham sido solucionadas, nomeadamente a corrupção na arbitragem, a eventual utilização de doping por alguns clubes e a desigualdade no cumprimento das obrigações fiscais.O dirigente do clube do concelho de Almeirim estranha que a associação tenha aceite o documento, que estava apenas assinado por si, sem nunca ter entrado em contacto directo com os responsáveis pela colectividade. “Quando inscrevemos os atletas foram sempre precisas assinaturas de três directores e agora para a equipa desistir bastou a minha”, adiantou o presidente do Benfica do Ribatejo que ainda aguarda que a AFS lhe comunique se recebeu ou não o fax e se aceitou ou não a desistência.Para justificar esta aparente dualidade de critérios, Alves Gomes diz que há directores na associação que sempre trataram o clube de forma tendenciosa e negativa. O seu principal visado é o tesoureiro da AFS, Agnelo Alexandre, com quem há alguns anos teve um problema pessoal (ver caixa).Passado mais de um mês sobre o fax que enviou à associação e do qual não obteve resposta, Alves Gomes, que entretanto se reuniu com o presidente da AFS, quer que a equipa volte ao campeonato e espera uma decisão rápida da associação.Questionado sobre se não teme voltar a ser prejudicado, como várias vezes se queixou nas oito jornadas que a equipa esteve em prova, o responsável pelo Benfica do Ribatejo responde que não e acredita que desta vez as coisas seriam diferentes. Sobre o facto de os jogadores que representaram a equipa já estarem noutros clubes, Alves Gomes diz que isso não é problema, porque tem novos atletas prontos a serem inscritos. Fácil seria também, em seu entender, a questão dos jogos em atraso, que seriam realizados a meio da semana.Associação não admite retornoAs pretensões de Alves Gomes de que o Benfica do Ribatejo volte ao campeonato esbarram na inflexibilidade da Associação de Futebol de Santarém. O presidente do organismo, Rui Manhoso, diz que a desistência dos benfiquistas é um caso consumado e, mesmo que não fosse, o clube já tinha dado três faltas de comparência, pelo que estava automaticamente excluído da prova.Rui Manhoso desmente qualquer perseguição ao Benfica do Ribatejo e diz mesmo que a maior parte dos assuntos do clube foram tratados directamente consigo, pelo que não percebe porque se estão a envolver outros responsáveis da AFS, nomeadamente o tesoureiro.Curiosamente, só na segunda-feira, dia 5 deste mês, a associação comunicou oficialmente o acordão que condena o Benfica do Ribatejo a 299.28€ de multa e desclassificação da prova. A decisão do Conselho de Disciplina (CD) da AFS foi tomada apenas a 30 de Dezembro, um mês e meio depois da carta enviada por Alves Gomes a comunicar a desistência ter entrado na associação.O acordão do CD diz ainda que o Benfica do Ribatejo não apresentou contestação escrita, mas o presidente do clube diz que nunca foi notificado para o fazer. No entanto, Rui Manhoso disse ao nosso jornal que a carta registada que foi enviada para a sede social do clube, foi devolvida porque ninguém a reclamou.Auditoria às contas da AssociaçãoAlém da reentrada do clube no Campeonato Distrital da I Divisão, o presidente do Benfica do Ribatejo reclama uma auditoria às contas da Associação de Futebol de Santarém. Tudo porque Alves Gomes levanta dúvidas sobre a competência do tesoureiro da AFS, Agnelo Alexandre, com o qual teve um problema pessoal há vários anos.O caso remonta a 1996, ano em que Agnelo Alexandre, então funcionário do Banco Fonsecas & Burnay diz ter entregue, por engano, cinco mil contos (25 mil euros) a Alves Gomes para pagar um cheque de 4.195 contos (cerca de 21 mil euros). O actual tesoureiro da AFS terá confundido o algarismo 1 com um 9 e diz ter entregue 800 contos (4 mil euros) a mais ao actual presidente do Benfica do Ribatejo, que nega ter recebido essa importância.Agnelo Alexandre apresentou queixa em tribunal, mas após várias diligências, o Tribunal da Comarca de Santarém e posteriormente o Tribunal da Relação de Évora, para o qual o tesoureiro recorreu, não encontrou qualquer indício de irregularidade ou de ilícito criminal por parte de Alves Gomes, pelo que o dirigente foi ilibado e o processo arquivado.“Esse senhor (Agnelo) aproveitou o facto de ser director da associação para me atacar e espalhou por todo o lado que eu lhe tinha roubado 800 contos”, diz Alves Gomes, que se queixa de ter sido enxovalhado em vários campos por pessoas que lhe diziam “vai pagar ao Agnelo o dinheiro que lhe deves”.Indignado, o presidente do Benfica do Ribatejo diz que vai processar Agnelo Alexandre e questiona a sua competência para ser tesoureiro da associação. “Se ele não consegue ler o extenso de um cheque como é que pode estar a gerir a área financeira da associação que recebe milhares de contos por ano”, questiona.Contactado pelo nosso jornal, Agnelo Alexandre não quis prestar qualquer declaração sobre o assunto. Já o presidente da associação diz que não teme qualquer auditoria e diz que a podem solicitar a qualquer momento. “A nossa contabilidade é feita por uma empresa privada que possui técnicos competentes, incluindo um revisor oficial de contas, é aprovada pelo conselho fiscal e os relatórios têm todos sido aprovados em Assembleia Geral de clubes”, disse Rui Manhoso, recusando entrar em mais polémicas.

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