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Justiça e sorte

Em jogo de enchente nas bancadas, Monsanto derrotou Amiense por 2-1

O Monsanto refez-se da derrota de Samora Correia e quem pagou as “favas” foi o Amiense. Nem mesmo com o apoio de muito público e um golo no minuto inicial a equipa de Amiaisde Baixo soube garantir os três pontos perante o líder da classificação.

Edição de 07.01.2004 | Desporto
Um golo de Leandro no primeiro minuto de jogo de nada serviu ao Amiense na partida em casa do Monsanto, primeiro classificado do Campeonato Distrital. O tento podia catapultar os visitantes para a vitória e a recuperação na tabela, mas a formação de Rui Gaivoto continua sem atinar. O Monsanto fez o que lhe competia. Depois do susto madrugador tomou conta da partida e impôs-se, voltando a demonstrar que trabalha bem os lances de “laboratório”.O reforço que chegou do Abrantes para o Amiense, Leandro, começou bem a partida. Após um lance de insistência do capitão Zé Maria, a bola sobrou para o dianteiro. Já dentro da grande área, não se deteve perante os protestos dos defensores adversários, que reclamavam fora de jogo, rematando para o golo, junto ao poste esquerdo do Marco de Pinto.O Amiense dominou os cinco minutos iniciais mas foi sol de pouco dura. Logo ao minuto sete, Hugo Afonso e Moleiro atrapalharam-se no remate, perdendo uma chance, após assistência de Pedro Fazenda. De seguida foi Pedro Nobre que esteve perto de marcar. Num livre descaído na direita, a 25 metros da baliza, desferiu um potente remate que não saiu muito acima da barra.O domínio do Monsanto era evidente e o golo do empate acabou por surgir naturalmente. O cruzamento para a área do Amiense pertenceu a Pedro Nobre, com Nilton e Vitinho a lançarem-se à bola, após alguma confusão, mas foi o lateral direito que fez com que a bola entrasse na baliza.Os anfitriões estavam motivados e um cabeceamento de Pedro Fazenda, no seguimento de um canto, não foi desviado a tempo por Nilton perto da linha decisiva, com Gama a aliviar.À passagem da meia hora, Renato gorou uma oportunidade para o Amiense, acabando por rematar bem por cima da baliza de Mário Pinto, quando tinha tudo para fazer bem melhor.Mas num lance de génio, o Monsanto não perdoou. Num livre descaído sobre o corredor esquerdo do ataque dos anfitriões, Paulo Jorge encarregou-se da marcação. Quando todos estavam à espera do centro para o amontoado de jogadores na área, o lateral esquerdo rematou forte e muito colocado, com a bola a anichar-se no ângulo superior direito da baliza. Gama ainda esboçou a defesa mas era completamente impossível lá chegar. O Amiense mudou a sua postura durante o segundo tempo, procurando o empate, mas foi o Monsanto que continuou claramente por cima. O primeiro sinal de perigo junto das balizas surgiu por logo aos 46 minutos. O protagonista foi Nilton que, numa jogada individual, se desfez de dois adversários para culminar com um remate a um metro do poste da baliza. O ponta de lança voltou a perdoar o terceiro tento cabeceando à barra do marco de Gama, após centro de Pedro Nobre, quando estava a apenas um par de metros do alvo. Na resposta, Mário Nelson conseguiu ir à linha de fundo para centrar, mas Mário Pinto interceptou o passe para canto.Nilton custou a acertar dentro dos três postes e volvidos cinco minutos rematou isolado para defesa de Gama. No lance seguinte Pedro Nobre rematou ao poste na cobrança de um livre e, na recarga, Hugo Afonso rematou para o golo, mas já em fora de jogo, prontamente assinalado pelo árbitro auxiliar. O momento mais espectacular da partida coube a Leandro, por volta da hora de jogo, ao cabecear na direcção da baliza, obrigando Mário Pinto a fazer um voo espectacular. A bola foi desviada por uma nesga uma vez que ia entrar no mesmo cantinho onde já tinha entrado o segundo tento do Monsanto.À passagem do minuto 72, o árbitro assinalou grande penalidade a favor do Amiense, por derrube de Paulo Jorge a Leandro. O próprio encarregou-se da marcação mas acabou por falhar, rematando denunciado quase à figura de Mário Pinto.Apesar do golpe psicológico negativo, os vinte minutos finais pertenceram ao Amiense, que carregou forte sobre a defesa do Monsanto, ainda que sem grande clarividência. Hugo Afonso ainda rematou perigosamente ao lado da baliza de Gama mas foi o último esboço atacante dos anfitriões.Até final os jogadores da casa encarregaram-se de defender e suportar a carga do Amiense. E conseguiram-no bem. O Monsanto foi merecedor da vitória já que dominou grande parte do jogo e criou mais oportunidades, sendo Paulo Jorge o seu melhor elemento.O Amiense começou bem mas cedo defendeu a magra vantagem, acabando por acordar tarde demais para recuperar, apesar do penalti falhado. Leandro foi, ainda assim, o melhor jogador da formação de Rui Gaivoto. A equipa de arbitragem realizou uma exibição regular subsistindo algumas dúvidas no lance do golo do Amiense.A diferença fez-se nas bolas paradasCom a vitória sobre o Amiense o Monsanto passou a liderar isolado a Primeira Divisão Distrital e Arsénio Fazenda reconheceu a importância do triunfo. Para o técnico “a vitória foi muito difícil e com alguma ponta de sorte no lance do penalti que não existiu, e do golo, completamente fora de jogo. Era um jogo decisivo frente a uma equipa muito difícil, que ainda continua na corrida”, opinou.Por isso, considerou que não houve ponta de injustiça do marcador final, acrescentando que a sua formação ainda falhou bastantes golos, acabando por sofrer apuros na recta final da partida.Quanto à tabela classificativa, Arsénio Fazenda considerou o U. Santarém como o maior adversário da sua equipa, mas não descartou outros oponentes nessa luta. “Amiense incluído, como se pôde ver pela massa de adeptos que os acompanha”, recordou. O técnico do Amiense, Rui Gaivoto, não escondeu a sua pena pelo falhanço no penalti que dava o empate, mas não crucificou o jogador. “A vinda do Leandro é uma excelente prenda e, com a disponibilidade do João Branco, ficamos com mais opções ofensivas, dada a lesão do Matias”, referiu. Quanto à análise do encontro, o técnico considerou que o Amiense não existiu durante a primeira parte, permitindo um domínio intenso do Monsanto. Panorama que mudou no segundo tempo, no qual a “equipa dominou e arriscou tudo. Merecíamos claramente mais sorte para chegar ao empate. A diferença fez-se nas bolas paradas”, apontou. Com mais uma derrota e uma prova irregular, Rui Gaivoto não escondeu que o “cenário” não é o melhor e que o valor da equipa é maior que o demonstrado nos últimos jogos. Mas apontou baterias para o próximo domingo, prognosticando que se a equipa vencer a partida “ganhará certamente três pontos ao Monsanto”, que folga nessa jornada.250 mil euros para o AmienseO Clube Desportivo Ami-ense recebeu cerca de 250 mil euros de ajudas para a reconstrução do campo da Azenha, principalmente do seu relvado sintético.O presidente do clube, Joaquim Mário, revelou a O MIRANTE, no final da partida com o Monsanto, que empresas como a Global Seguros e J.J. Louro, contribuíram com cerca de dez mil euros cada, remetendo a divulgação dos restantes montantes das empresas para a Câmara de Santarém. Da parte da autarquia, o vereador com o pelouro do Desporto, um amiense, veio o esclarecimento de que as empresas Construções José Vieira, Imocom, Petrogal e Lactogal também participaram na atribuição de verbas ao clube do norte do concelho. Especialmente as duas últimas, que assumiram a maioria do “bolo”, num montante total de cerca de cerca de 175 mil euros. “Atendendo a alguma demora na canalização dos fundos de calamidade devidos aos incêndios, e enquadrado na lei do mecenato, eu e o presidente da câmara, efectuámos algumas démarches para ajudar o clube, sob a forma de donativos”, esclareceu o autarca. Além daquele montante, há ainda a acrescentar cerca de 30 mil euros provenientes do peditório realizado na freguesia, a contribuição do Governo Civil de Santarém e a inscrição de uma verba definida de 50 mil euros no orçamento camarário.Valores que totalizam mais de 250 mil euros, quando se calcula que a recolocação de um campo relvado sintético no campo da Azenha fique por cerca de 225 mil euros. As previsões para que o verde volte a prevalecer no rectângulo de jogo apontam para o mês de Fevereiro.

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