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Concorrência arrasadora

Panificadoras vão fechando um pouco por todo o distrito

A concorrência aumentou e os hábitos alimentares dos portugueses já não são o que eram. Situações que concorrem para o decréscimo de vendas das panificadoras e que contribuíram mesmo para o encerramento de algumas indústrias na região. Como a Sopasal, de Santarém, que chegou a ter 30 pontos de venda.

Edição de 07.01.2004 | Economia
A vida não parece estar fácil para os industriais de panificação. A alteração dos hábitos alimentares, a abertura de grandes superfícies e das pequenas lojas de pão quente, que começaram a surgir no mercado há meia dúzia de anos, aumentam a oferta e diminuem a produção.Os empresários do sector queixam-se de “concorrência desleal” e apontam o dedo à diferenciação de tratamento pelas entidades oficiais: “O pão a granel só pode ser vendido nas padarias tradicionais, nos restantes locais devia ser embalado e não é isso que acontece”, refere Fernando Trindade. Por outro lado, muito do pão comercializado nas pequenas lojas de pão e pastelaria é cozido a partir de massas congeladas: “Isso não é pão é um produto alimentar, mas não pode ser considerado pão”.Nos últimos anos, várias panificadoras da região fecharam portas. Padarias Reunidas de Torres Novas, Sociedade Panificadora, na Atalaia, ou Sopasal, em Santarém, são alguns dos exemplos.A Sopasal, segundo Fernando Trindade, que também foi fundador da empresa, foi criada no final da década de 60 e chegou a ter 102 empregados e 30 postos de venda. Fechou em Agosto último por problemas económicos. Na altura, a Sopasal já tinha reduzido os postos de venda para 15 e contava com 30 funcionários. “Não havia hipótese. A concorrência era muita e os problemas económicos foram-se avolumando. Éramos uma das melhores padarias do país, mas a produção foi decrescendo e os encargos mantinham-se. Tivemos de fechar”, diz Fernando TrindadeTodos os empresários contactados por O MIRANTE indicam a concorrência desleal como um dos factores das dificuldades do sector, bem como a mudança dos hábitos alimentares. Em todos os casos houve um decréscimo da produção que tem vindo a acentuar-se de ano para ano ou de mês para mês, como diz Rogério Luís Paulo, da Sociedade Industrial de Padarias do Concelho do Cartaxo.Actualmente, a Sociedade do Cartaxo têm 13 depósitos de venda e fornece algumas médias superfícies da região: “No nosso caso a quebra não é muito significativa, vai descendo de mês para mês”.Do mesmo mal se queixa Pedro Pires, de Abrantes. A União Panificadora foi criada nos anos 60, tem 24 locais de venda directa e emprega 60 trabalhadores, mas “o negócio está difícil”: “A concorrência não olha a meios para atingir os fins. Praticam um preço numa rua e a mesma empresa tem outro preço numa outra zona. Nós que cumprimos a legislação já tivemos duas inspecções sanitárias este ano e quando perguntei aos técnicos que nos inspeccionaram se iam também a outros locais, disseram-me que não. Vinham cá por denúncias que recebiam”, desabafa Pedro Pires.Na Chamusca, a situação não é melhor para a União de Padarias. José Eusébio diz que nos últimos 9 ou 10 anos reduziu a produção para 50 por cento: “Há muita concorrência, toda a gente vende pão e também se deixou de consumir tanto pão como antigamente. Mas o principal é a concorrência desleal”.Para Manuel Luís Gaspar, da Panificadora de Alcanhões (Santarém), a produção não sofreu grande redução nos últimos tempos porque têm clientes que escoam quantidades idênticas, mas “nota-se qualquer coisa e os hábitos alimentares infelizmente são diferentes do que eram antigamente”.Perante este rosário de problemas, bem conhecidos de Fernando Trindade, a associação a que preside tem vindo a reclamar a regulamentação do fabrico do pão e da sua comercialização. “Nós temos tomado algumas posições, mas é ao Governo que compete aplicar as medidas”, conclui.

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