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Uma terra que se molda no barro

Uma terra que se molda no barro

Freguesia de Ulme está bem servida de estradas, mas falta uma boa assistência médica

Ulme é uma terra marcadamente rural, onde as pessoas se juntam no largo da igreja para conversar e passar o tempo. Um hábito que vem dos tempos em que os lavradores iam ao local contratar trabalhadores. Hoje, além do trabalho do campo, o emprego é também assegurado por pequenas empresas e pelas duas fábricas de tijolo que aproveitam o bom barro existente na zona.

Edição de 07.01.2004 | O poder local aqui tão perto
Aproveitando os raios de sol de uma manhã fria, Joaquim Duarte observa o movimento no largo principal da vila de Ulme, concelho da Chamusca. Com 92 anos, este habitante da freguesia sempre se lembra do movimento no local, junto à igreja, onde se concentravam os homens à espera que os grandes lavradores aparecessem para os contratar para os trabalhos agrícolas. Hoje, a maioria da população trabalha nalgumas fábricas de tijolo, ou em pequenas empresas situadas na zona de actividades económicas à entrada da vila. Mas Joaquim Duarte, como muitos outros habitantes, continua a concentrar-se no largo da igreja. É um ponto de encontro dos amigos, onde se contam as últimas novidades e onde se passa o tempo nos cafés existentes no local. A freguesia de Ulme tem 119 quilómetros quadrados de área e uma população de 1500 pessoas, a maioria idosas. O território compreende, para além da sede de freguesia, as localidades de Casalinho e Semideiro. Da sede de concelho, Ulme fica a oito quilómetros. Semideiro dista da sede de freguesia cerca de 13 quilómetros e da Chamusca 21 quilómetros. Devido à distância entre Semideiro e Ulme, a junta de freguesia é “obrigada” a construir equipamentos em duplicado. Existem dois campos de futebol, dois polidesportivos descobertos, dois recintos de festas com palcos. As crianças contam com duas escolas do primeiro ciclo, às quais estão agregadas dois jardins de infância, com um total de cerca de 30 alunos. Ao nível das condições de vida, toda a freguesia está servida de água canalizada. O mesmo não se pode dizer do saneamento, já que só existem esgotos domésticos na vila de Ulme. Os outros dois aglomerados populacionais são servidos por fossas. As estradas que servem a freguesia estão em bom estado, excepto a Estrada Nacional 243 que precisa de uma reparação. Um dos principais problemas é a falta de resposta para os idosos, que constituem grande parte da população. A freguesia é servida por um centro de dia, mas não existe um lar onde as pessoas que vivem sozinhas, ou que já não têm condições em casa para pernoitar. A par disso, existem poucas oportunidades de emprego para os jovens, que são obrigados a trabalhar fora, sobretudo na construção civil. Um problema que se acentuou com o encerramento da Fábrica de Papel de Ulme que entrou em falência na década de 80. Ainda hoje há pessoas que esperam receber ordenados em atraso. Pior cenário é o de Semideiro, onde vivem cerca de 700 pessoas. Grande parte delas, cerca de 80 por cento, vivem da floresta, do corte de eucaliptos e da extracção de cortiça. Com os últimos incêndios, que destruíram grande parte dos recursos da zona, teme-se que os problemas sociais relacionados com a falta de trabalho venham a agravar-se.A primeira indústria da freguesia foi a dos moinhos de água, ao longo da ribeira de Ulme, que serviam para moer cereais. A freguesia chegou a ter 18 equipamentos destes. Actualmente, há um em Semideiro, desactivado já há alguns anos, mas que se pretende recuperar para servir de museu. Outra das actividades que ainda está activa é a da cerâmica. Chegou a haver cinco fornos de tijolo artesanais. Com o evoluir da tecnologia, esses fornos deram lugar a duas indústrias de tijolo e telha que aproveitam a boa matéria-prima existente na zona. Dispondo de caixa multibanco, de uma farmácia na sede de freguesia e de um posto de medicamentos em Semideiro, actualmente na área da saúde só falta mesmo o médico. Até há pouco tempo os postos médicos de Ulme e de Semideiro funcionavam todos os dias, até que o médico adoeceu. Agora só há consultas uma vez por semana. Uma situação complicada, sobretudo para os mais idosos do Semideiro que, para se deslocarem ao Centro de Saúde da Chamusca, só têm um autocarro de manhã, que regressa à localidade ao fim da tarde. Cafés, lojas de roupa, mercearias e peixarias constituem o comércio local que já viveu melhores dias. Com o aparecimento das grandes superfícies, a população desloca-se para a Chamusca, Entroncamento, ou Santarém para fazer compras.De realçar é o facto de haver um cuidado especial na limpeza das ruas e na manutenção dos espaços ajardinados bem cuidados. O sossego e a pacatez da freguesia, onde não existem problemas de segurança, são os principais atractivos para quem goste de levar uma vida mais tranquila, longe do bulício das grandes cidades.
Uma terra que se molda no barro

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