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Obras adiadas para ano de eleições

Oposição rejeita orçamento em Salvaterra de Magos

As grandes opções do plano da maioria BE para Salvaterra de Magos foram aprovadas apesar dos votos contra da oposição na assembleia municipal.

Edição de 07.01.2004 | Política
As três bancadas da oposição da Assembleia Municipal de Salvaterra de Magos votaram contra o orçamento e as grandes opções do plano que incluem, plano de actividades municipais e plano plurianual de investimentos para 2004. Na reunião do passado dia 30 de Dezembro, PS, PSD e CDU acentuaram as críticas à “estratégia eleitoralista” e rejeitaram os documentos elaborados pela maioria do Bloco de Esquerda. A previsão orçamental para o novo ano aponta para um movimento de 14 milhões e 755 mil euros (dois milhões e 951 mil contos).Os documentos acabaram por passar com os votos dos autarcas do (BE) que tem maioria absoluta. Na linha do que os dois vereadores da oposição (PS e PSD) já tinham referido na reunião de câmara, o adiamento das obras para 2005 (ano de eleições) foi uma das justificações para os votos contra.Salomé Rafael (PS) criticou as opções da maioria. “Em vez de apostar num parque de negócios, o que possibilitaria a instalação de novas empresas e o sucessivo combate ao elevado número de desempregados, o município apostou no turismo”, disse. A autarca considerou “ridículo o investimento feito ao nível da educação”. Da mesma bancada, o autarca Mário Duarte criticou a falta de investimento ao nível da habitação social. O vogal socialista disse que desde o 25 de Abril de 1974 foram construídas em média 20 habitações sociais por ano. “Desde que o BE está a frente dos destinos do concelho, ainda não foi feito nenhum investimento desta natureza”. Para manter a média, nestes sete anos de mandato do BE, “a câmara já devia ter feito 140 habitações”. O PSD pôs em causa o grau de confiança reflectido nos números apresentados no orçamento. O economista Álvaro Batista lembrou que a execução orçamental no último ano não foi além dos 73 por cento. Segundo o vogal social democrata, as receitas de capital vão cair este ano “muito por culpa do reduzido nível de investimento programado”, isto apesar das receitas governamentais voltarem a subir. O autarca frisou que em termos de promessas se ficou pelo essencial e esqueceu-se o que é estruturante para o concelho. “Olhando para as grandes rubricas, o que em 2002 nos prometeram para 2003, aparece em 2004 como realizável em 2005”, concluiu. A principal bandeira do PSD é o desenvolvimento económico com vista à criação de novos postos de trabalho. “O que infelizmente não está a acontecer”, referiu o vogal social democrata. José Domingos dos Santos (CDU) referiu que nos documentos que lhe foram entregues não estão especificadas as fontes de financiamento de todas as obras. “Vale tudo quanto à falta de financiamento e planeamento”, referiu. “A presidente não tem ideias quanto ao ordenamento e planeamento do território”, acrescentou o autarca. Domingos dos Santos afirmou ainda que não há previsão de investimento para as escolas do primeiro ciclo e para habitação social, “fica tudo adiado para 2005”. No entender do autarca comunista, a biblioteca municipal e os esgotos do Granho também ficam à espera de melhor oportunidade. Contrariando a oposição, a médica Ana Paula Correia (BE) disse que o orçamento contempla fatias importantes destinadas ao saneamento básico e educação. No documento verifica-se que 18 por cento são para o turismo. Nomeadamente, para a zona ribeirinha. A bancada bloquista considera que “tem havido investimento em Salvaterra de Magos”.A presidente de câmara encerrou o debate e refutou todas as acusações que foi alvo. Ana Cristina Ribeiro sublinhou que a execução orçamental, no último ano, aproximou-se dos 75 por cento. “Se somos incompetentes ou competentes, dentro de dois anos, a população poderá ajuizar isso mesmo”, referiu. A edil recusou a ideia de que as obras tenham sido apenas feitas com dinheiro do Estado. Segundo a autarca, só para seis grandes obras a câmara vai ter de desembolsar cerca de 1 milhão e 650 mil euros (330 mil contos) em 2004. Disse também que tem havido um apoio às famílias carenciadas, nomeadamente a nível da entrega de materiais de construção para a reparação de algumas habitações degradadas. A presidente lembrou que nos últimos seis anos foram construídos dois depósitos de água e será ainda construído mais um e desde que está na câmara já foram feitos 85 quilómetros de canalizações em todo o concelho.Mário Gonçalves

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