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Não é fácil dar sangue

Falta de espaço e de recursos humanos afecta serviço do Hospital de Santarém

Quem pretender doar sangue no Hospital de Santarém pode ser obrigado a esperar uma manhã inteira. A situação deve-se à falta de pessoal no serviço de Imuno-Hemoterapia, aliada à falta de espaço.

Edição de 07.01.2004 | Sociedade
O serviço de Imuno-Hemoterapia do Hospital Distrital de Santarém, que procede às recolhas de sangue dos dadores benévolos, está a trabalhar com algumas limitações. O alerta foi dado por um dador de Almeirim, que há vários anos recorre ao hospital para dar o seu sangue. Rui Ferreira Joaquim queixa-se da falta de espaço, do elevado tempo que é preciso esperar para fazer a recolha e do não cumprimento de alguns direitos dos dadores. As dificuldades são reconhecidas pela administração do hospital, que promete resolver a situação, no âmbito da reorganização do serviço. Rui Ferreira Joaquim deslocou-se, no dia 30 de Dezembro, para doar sangue e teve que andar mais de meia hora à procura de estacionamento, quando antes havia estacionamento reservado para os dadores. Já dentro do serviço deparou-se com uma grande fila de pessoas à espera. Uma situação que já tinha acontecido no dia 22, altura em que tentou dar sangue e teve que desistir. Segundo explicou, nos últimos tempos, tem vindo a aumentar o tempo de espera para que os dadores possam dar sangue, garantindo que, por vezes, é preciso esperar uma manhã inteira. “Já não se justifica, hoje em dia, estar tanto tempo à espera. Ainda para mais o serviço só dispõe de duas marquesas o que é insuficiente para o número de pessoas que recorre ao serviço”, comentou Rui Joaquim, dador de sangue há 14 anos. “As coisas têm que evoluir. Fazem-se apelos para que as pessoas dêem sangue, mas com estas condições pode haver um efeito contrário, levando os interessados a desistir de fazer a sua dádiva”, considerou, acrescentando que é notória “a falta de capacidade de resposta para o número de dadores que recorre ao hospital”. Para Rui Joaquim, “os dadores não têm mais nenhum interesse senão o de ajudar quem precisa”. Por isso, apela para que sejam criadas “algumas condições, ainda que mínimas”, reforçou, dizendo que, com isto, apenas pretende chamar à atenção para o problema. Hospital quer criar melhores condiçõesO administrador executivo do Hospital de Santarém, Simões Oliveira, disse reconhecer as dificuldades actuais. E explicou que a situação se deve à carência de recursos humanos e à falta de espaço do serviço que, para além, da recolha de sangue, efectua outras tarefas. Simões Oliveira garantiu, no entanto, que o Hospital está a trabalhar no sentido de resolver o caso, pelo que está em curso um projecto de reorganização do serviço. “Nesse âmbito, vamos criar melhores condições para os dadores, que são sempre bem vindos”, assegurou, especificando que vai ser criado um espaço para o estacionamento e os recursos humanos vão ser reforçados. Quanto ao alargamento das instalações usadas na recolha de sangue, as obras estão dependentes de uma intervenção no espaço das consultas externas. Simões Oliveira aconselha ainda os dadores, ou outras pessoas que recorram ao hospital e que tenham queixas a apresentar, que o façam no gabinete do utente. “As reclamações serão aten-didas e vamos tentando corrigir as situações que nos chegam por essa via”, concluiu.

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