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Sorte Grande em Coruche

Lotaria Nacional de Ano Novo premiou comerciantes

Mariana Mendes foi um dos cinco coruchenses contempladas com o primeiro prémio da Lotaria Nacional de Ano Novo. Mas, a notícia trouxe-lhe tristeza. Sempre foi feliz a trabalhar e teme que os 150 mil euros lhe possam trazer azar.

Edição de 07.01.2004 | Sociedade
O primeiro prémio da Lotaria Nacional de Ano Novo saiu em Coruche. O nº 6523 foi parar às mãos de quatro pessoas de Coruche e uma da Azervadinha. As restantes fracções foram vendidas no Lavre e Cortiçadas, no vizinho concelho de Montemor-o-Novo. Mas, ao contrário do que se poderia pensar, Mariana Mendes, uma das três comerciantes contempladas na Rua dos Bombeiros Municipais de Coruche, ficou triste por ter arrecadado 150 mil euros (30 mil contos). A sortuda tem medo que o prémio lhe possa trazer azar. “Tudo o que tenho foi conseguido com muito esforço e trabalho ao lado do meu marido. Nunca ganhei nada”, disse. A comerciante confessa que a vida não tem sido fácil e que ao longo dos anos tem superado várias provas. “Deus tem sido meu amigo”, refere. A sua grande ambição sempre foi dar um curso superior aos dois filhos e conseguiu. “Tenho sido feliz e espero que o dinheiro do jogo não me traga má sorte”, confessou. “Algumas pessoas acharam estranho eu falar assim e disseram-me que se não quisesse o dinheiro podia dá-lo a eles”, contou. A sua fracção foi comprada ao cauteleiro Luís Ernesto. É uma pessoa muito conhecida em Coruche, até porque há quatro anos, também na Lotaria Nacional de Ano Novo, vendeu o primeiro prémio a uma pessoa da terra. Mariana Mendes disse a O MIRANTE que soube da boa nova quando o seu marido lhe telefonou a dizer que uma das suas vizinhas tinha sido contemplada e que o primeiro prémio acabava em 23. Mariana lembrou-se que o 23 era um número habitual nas suas apostas, mas disse que teria de ir confirmar porque não tinha a certeza. E o número era mesmo o 6523. O cauteleiro vendeu três fracções a três comerciantes da mesma rua .O assunto é o tema de todas as conversas na sua loja. Os seus clientes mostraram-se contentes até porque o prémio foi distribuído a pessoas que têm dedicado toda a sua vida ao trabalho e gente querida dos coruchenses. Deolinda Lopes foi outra das contempladas. No início da nossa abordagem não se mostrou muito receptiva para falar deste assunto porque tem receio de reacções negativas. A afortunada contou que quando soube que tinha sido contemplada pela sorte nem queria acreditar. “Estes 150 mil euros são importantes. Quero concluir as obras na minha casa”, disse. Deolinda compra uma fracção todas as semanas. E é sempre ao Luís Ernesto que conhece há muitos anos. Às vezes até é o cauteleiro que escolhe o número, mas desta vez foi ela que escolheu. “É um amigo de há longa data”, confessou. E como prova disso, mal soube que lhe tinha vendido o primeiro prémio, emocionado, o cauteleiro foi imediatamente ao café de Deolinda dar um abraço ao seu marido. Para a família contemplada, a vida não mudou. O trabalho continua. O seu marido continua a levantar-se às quatro da manhã para fazer os bolos para a pastelaria e a comerciante garante que também não vai abrandar o ritmo da labuta diária.Mário Gonçalves

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