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“Estão a cercar o clube por todos os lados”

Ferroviários do Entroncamento equaciona acabar com o futebol
Edição de 14.01.2004 | Desporto
O Grupo Desportivo “Os Ferroviários” está a equacionar seriamente deixar de praticar futebol a partir do final desta época. “Não o fazemos desde já porque queremos honrar os compromissos que assumimos para a presente época”, referiu ao nosso jornal o porta-voz da direcção, Luís Barbosa, que garante que não se trata apenas de uma ameaça, mas de “uma decisão séria e ponderada da direcção”.Os fundamentos para esta tomada de decisão são variados e muito fortes. Segundo o porta-voz do clube do Entroncamento, “existe uma inexplicável onda de ataques ao Ferroviários, que estão a tornar a vida impossível à direcção, e os reflexos são muito maiores ao nível do futebol”. Por isso mesmo, e para não colocar em causa a existência do clube, “a solução é acabar com o futebol”, disse Luís Barbosa.É verdade que a vida do Ferroviários não está nada fácil, com uma dívida por saldar ao fisco, na ordem dos 150 mil euros (30 mil contos) e com receitas muito baixas. Mas pior ainda é, segundo Luís Barbosa, a posição assumida pela Câmara Municipal do Entroncamento. O mesmo responsável diz que no final da época passada e depois de alguma fricção entre a direcção e o presidente da autarquia, houve uma reunião de reconciliação onde ficaram assentes várias decisões, e onde o autarca, Jaime Ramos, se comprometeu a ajudar o clube.Ajuda que, segundo Luís Barbosa, não se concretizou. “Pior ainda. Houve alguma má fé do presidente, que fez com que os subsídios em atraso de 2002 fossem desviados para pagar dívidas que ele dizia existir, e agora depois de não recebermos nada desse ano, veio dizer que em 2003 não foram distribuídos subsídios, deixando o clube em muito maus lençóis”, concluiu o dirigente.Confrontado por O MIRANTE sobre estas acusações, o presidente da Câmara do Entroncamento garantiu que a direcção do Ferroviários não tem nenhuma razão. “Estamos a agir com o Ferroviários exactamente como com todas as outras colectividades da cidade, estamos a ajudar no que podemos. Os transportes de todas as equipas do clube e a manutenção de todos os recintos de jogo são assegurados pela câmara, e em 2003 não foram atribuídos subsídios a ninguém. É verdade que prometi ajudar, e isso tenho feito como disse atrás, e garanto que quando pudermos vamos ajudar mais. Agora garanto também que as ajudas serão sempre distribuídas por todas as colectividades. Ninguém terá tratamento de excepção”, referiu Jaime Ramos.Mas para além destes problemas, existe também na opinião da direcção do Ferroviários, uma perseguição ao clube nunca vista no futebol do distrito de Santarém, principalmente da parte da arbitragem, mas também da associação de futebol. “Os árbitros entram em campo com a manifesta intenção de nos prejudicar, como aconteceu em Monsanto, no Tramagal e agora aqui no Entroncamento frente ao Coruchense. No Tramagal as coisas ultrapassaram tudo o que é admissível, com um dos árbitros assistentes a ofender gravemente todos os elementos do banco de suplentes do clube”, garantiu Luís Barbosa, que acrescentou que neste caso do Tramagal, o observador do árbitro assistiu a tudo o que se passou.Contudo o dirigente do Ferroviários foi ainda mais longe. Referiu o caso do castigo aplicado ao treinador do clube. “Três meses por declarações que não foram grosseiras, apenas visavam chamar a atenção para os problemas que estavam a surgir para o Ferroviários”. Por fim Luís Barbosa referiu o caso do jovem guarda-redes Bué, que se encontra suspenso há mais de dois meses sem saber bem por quê. “Já pedimos esclarecimentos à associação e ninguém nos responde. Por todas estas situações é que já está praticamente decidido terminarmos com a prática do futebol no clube”, garantiu o porta-voz do Ferroviários, que acrescentou ainda já ter sido solicitada um esclarecimento à associação sobre a possibilidade de cedência dos direitos desportivos do Ferroviários a outra colectividade da cidade, interessada em continuar com o futebol.Contactado pelo nosso jornal, o presidente da Associação de Futebol de Santarém, Rui Manhoso, disse que até ao momento não recebeu qualquer reclamação por parte do Ferroviários e estranhou as afirmações de Luís Barbosa, referindo que há um bom diálogo com o clube. Quanto às decisões do Conselho de Disciplina, o presidente da AFS disse que as decisões daquele órgão são autónomas da direcção.

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