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Retirada de pelouros mal digerida

Vereador da CDU do Entroncamento acusa presidente da câmara de “má fé e prepotência”

O vereador da CDU do Entroncamento, a quem o presidente retirou pelouros, afirma-se vítima de uma conspiração por parte do presidente. Jaime Ramos contrapõe e diz que o vereador não conseguiu dinamizar as tarefas que lhe estavam destinadas.

Edição de 14.01.2004 | Política
O presidente da Câmara do Entroncamento, Jaime Ramos (PSD), decidiu retirar as tarefas que tinha entregue, no início do mandato, ao vereador da CDU António Ferreira, por entender que este não as conseguiu “dinamizar nem desenvolver”. O vereador da CDU diz que as acusações que o líder do executivo lhe faz são injustas e acusa-o de agir de má fé e com prepotência.“Quando no início do mandato entreguei as tarefas aos vereadores perguntei-lhes se estavam disponíveis para fazer obra. O vereador António Ferreira disse-me que sim, mas entre dizer e fazer há um grande fosso”, referiu ao nosso jornal Jaime Ramos, adiantando que foi por isso que decidiu agora retirar-lhe os pelouros.Por isso e também pela declaração de voto que o vereador fez na reunião em que se discutiu e aprovou o Orçamento para este ano. “Não consigo entender como é que um vereador a quem é dada mais verba para poder desenvolver o seu trabalho tenha votado contra o orçamento, onde essa verba está inscrita, por considerá-lo um orçamento despesista”.Mas António Ferreira não vê as coisas desse modo. Em conferência de imprensa realizada na segunda-feira, o vereador da CDU disse nunca se ter sentido refém das tarefas que lhe foram dadas e o partido nunca condicionou o voto na assembleia municipal ao facto de o seu vereador ter pelouros. Foi por isso que votou contra o orçamento do município para 2004.“É um facto que as verbas que nós pedimos para os nossos sectores foram atribuídas”, admite o vereador, adiantando todavia que nunca foi discutido de forma democrática, por todos os vereadores, o conjunto de propostas das diferentes áreas inseridas nos orçamentos de 2003 e 2004. “Os vereadores só intervieram na última reunião, para aprovação dos orçamentos”, referiu António Ferreira.Apesar de lhe terem dado as verbas pedidas para gerir ,convenientemente, as tarefas que lhe estavam destinadas – o cemitério e a ETAR – o vereador da CDU diz que isso não bastou para o partido fazer uma avaliação positiva da actividade política desenvolvida pela Câmara do Entroncamento. “Votaámos contra o orçamento de 2004 em consciência”.Sobre as matérias que lhe foram destinadas, António Ferreira diz que, na área dos esgotos, “nunca nos últimos anos houve tão grande dinamismo como no último”, e que, relativamente ao cemitério, a evolução foi visível, sendo agora “um dos mais cuidados da região”. Para o vereador da CDU, o que realmente esteve na origem da retirada de pelouros foi o facto de “nunca ter alinhado com a entrada do concelho no sistema multimunicipal das Águas do Centro”.“O que ele fez foi remover um obstáculo, que era eu, na questão das águas”, afirmou o vereador referindo-se ao presidente, adiantando que nesta matéria tudo tem sido feito sem ele ser consultado, apesar de essa matéria ser da sua competência. “Pelo contrário, fui sempre afastado do assunto”.

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