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As bonecas confidentes

Rosa Vieira é dona de uma colecção inédita em Alcanena

Rosa Vieira gosta de passar o tempo a recuperar bonecas, muitas vezes resgatadas do lixo. A sua colecção já ultrapassou o milhar de exemplares. Quem as quiser ver pode dirigir-se à Casa de Cultura de Alcanena, até sexta-feira.

Edição de 14.01.2004 | Sociedade
Não são só as bonecas bem vestidas e compradas em lojas atafulhadas de brinquedos que têm encanto. Dar “vida” a restos de bonecas deitadas para o lixo tem um outro sabor. Rosa Maria Ribeiro Vieira, coleccionadora de bonecas, tem esse passatempo e mostra com orgulho as criaturinhas que recuperou entre as 1104 bonecas que levou para a exposição patente na Casa da Cultura, em Alcanena. Louras ou morenas, de porcelana ou plástico, de colecção ou apanhadas do lixo, são mais de mil bonecas que Rosa Maria Vieira vem coleccionando ao longo dos anos. Para esta mulher de 47 anos, casada e mãe de um filho, as figuras humanas que fazem o encanto das meninas são as suas confidentes: “Há segredos que só elas e Deus Nosso Senhor sabem”, diz.Naturalmente que este tipo de colecções não é original, mas ter tanta boneca é caso inédito. “Já me disseram que tenho mais bonecas do que as que existem nos museus”. No entanto, a colecção de Rosa Maria, que pode ser vista até amanhã na Casa da Cultura de Alcanena, intitulada “O hospital e a casa das bonecas”, apresenta outra particularidade. “Algumas das minhas bonecas são reconstruídas, junto a cabeça de uma com o corpo de outra e às vezes os membros de outra e tenho uma boneca nova. Não deito nada fora, tudo pode ser aproveitado”.Tanto assim que Rosa Maria chegou a ver nos caixotes de lixo se havia bonecas, ou pedaços de bonecas por lá. “Olhava lá para dentro e se via alguma coisa tirava. Agora já não faço isso, os meus amigos do lixo levam-me sacos com bocados de bonecas que eu depois arranjo. E este Natal ofereceram-me dois sacos cheios”.E há mais quem lhe ofereça. Aliás, escolher uma prenda para ela não é difícil. “Dão-me bonecas. As maiores foram dadas pelo meu filho e os bonecos pelo marido, mas este Natal recebi vários Nenucos de outras pessoas”.Rosa Maria não escolhe. Qualquer boneca é bonita e bem vinda, seja a tradicional nazarena, as damas antigas de porcelana, as desajeitadas marafonas ou as elegantérrimas barbies. “São todas bonitas”, afirma.Na arrumação é que há critério, umas para um lado outras para outro, como se fossem grandes famílias. E em lugar de destaque “O meu bem”, uma boneca de borracha que Rosa Maria recebeu quando fez 7 anos. “Agora já é bisavó, ou trisavó. Só podia brincar com ela duas horas por semana e ao domingo. Depois voltava para a caixa onde foi comprada e ficava guardada até ao domingo seguinte”. Talvez por isso ainda esteja como nova.A exposição em Alca-nena do espólio que Rosa Maria guarda numa pequena divisão de sua casa fun-cionou como um prémio: “É muito grati-ficante o que tenho ouvido, o que se tem escrito no livro, os parabéns que me têm dado. E tem vindo gente de todo o lado”, desabafa Rosa Maria.As bonecas vão voltar ao seu lugar de sempre, na casa de Rosa Maria, em Vila Moreira, também no concelho de Alcanena, e talvez um dia voltem para ser vistas pelo público. Entretanto, a coleccionadora aceita todos os bocados de bonecas velhas: “Escreva lá isso no seu jornal, se tiverem bonecas partidas, sem pernas, ou sem cabeça, não deitem fora, eu arranjo-as”

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