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Esgotos a céu aberto

Esgotos a céu aberto

Alhandra reclama saneamento básico

No concelho de Vila Franca de Xira os esgotos ainda correm para o Tejo sem qualquer tratamento. Alhandra é uma das freguesias que reclama prioridade para o saneamento básico.

Edição de 14.01.2004 | Sociedade
Os esgotos da vila de Alhandra, no concelho de Vila Franca de Xira, continuam a desaguar no Rio Tejo sem qualquer tratamento. A rede de esgotos da parte velha da vila é centenária e não está preparada para o crescimento da freguesia.Os alhandrenses estão preocupados com os sucessivos adiamentos das intervenções de fundo e alguns acusam a câmara de fazer obras de fachada e esquecer o saneamento básico.“Os esgotos são o principal problema da vila. A câmara ainda há pouco tempo pavimentou a zona junto dos bombeiros e não aproveitou para substituir a redes de esgotos. Andam a gastar dinheiro à toa”, disse Emílio Coraz, presidente da associação de reformados Curpiva que acolheu a última reunião do executivo da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira no dia 7 de Janeiro.O munícipe considera que é uma questão de prioridades e reconhece que as obras à superfície enchem o olho. Emílio Coraz, que foi autarca e conhece a vila como a palma das mãos, lembra que a rede de esgotos da zona mais antiga tem mais de 200 anos e ainda é de tijolo em vez das manilhas de cimento que já se usam há dezenas de anos. “A ETAR Estação de Tratamento de Águas Eesiduais de Alhandra vai para as calendas do inferno”, referiu. A preocupação foi reforçada por José Manuel Macieira que chamou à atenção para a poluição que todos os dias desagua no Tejo e para a má imagem causada pelos maus cheiros.Na resposta, o vice-presidente da câmara e presidente dos Serviços Municipalizados de Água e Saneamento Vila Franca de Xira (SMAS) explicou que a rede de esgotos está a ser alvo de um estudo por parte da Simtejo. A empresa foi criada com a comparticipação de várias câmaras da Área Metropolitana de Lisboa para resolver os problemas dos esgotos.Simões Luís confirmou a intenção de construir uma nova rede de esgotos, um emissário e uma estação elevatória em Alhandra. A partir da central, os afluentes serão encaminhados para Vila Franca de Xira onde será construída uma grande estação de tratamento a norte da cidade.O autarca não adiantou datas para o avanço das obras e confessou que surgiram alguns problemas com a possibilidade do alargamento da linha férrea que pode condicionar a localização das infra estruturas.Uma das novidades da nova rede será a separação dos esgotos pluviais dos domésticos, o que de resto já se verifica nas novas construções. As águas da chuva continuarão a ir directamente para o rio enquanto os esgotos vão para a ETAR.Recorde-se que o concelho de Vila Franca de Xira só dispõe de duas estações de tratamento municipais nas freguesias de Cachoeiras e São João dos Montes. A autarquia não aproveitou os fundos comunitários do primeiro e segundo quadro comunitário e os esgotos ainda são lançados nas linhas de água sem qualquer tratamento. Ribeira de Santo António foi limpaA Ribeira de Santo António, que atravessa a EN 10 e conduz os esgotos e as águas pluviais para o rio Tejo, é uma preocupação constante dos alhandrenses.Após as fortes chuvadas do dia 9 de Novembro, as águas galgaram a ribeira e inundaram uma parte significativa da vila. José Manuel Macieira apontou o dedo às autoridades que não intervieram a tempo e alertou a câmara para a necessidade duma profunda intervenção na ribeira que é da responsabilidade do Instituto Nacional da Água (INAG).O munícipe frisou ainda os maus cheiros libertados na zona junto da EN 10, perto da bomba de gasolina. A ribeira está destapada numa zona a que os técnicos do INAG chamam o “fusível” da ribeira.O vice-presidente da câmara, Simões Luís explicou que já foi feita a limpeza de todo o canal e disse acreditar que o cenário de 9 de Novembro não se irá repetir. Quanto ao “fusível” entre a EN 10 e a linha férrea, o INAG considera imprescindível a sua manutenção embora possam ser feitas intervenções para minorar os impactes visual e ambiental com a colocação de uma nova vedação e de barreiras arbóreas.
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