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Mais estacionamento pago

Mais estacionamento pago

Autarcas querem tirar os carros do centro de Vila Franca

Os autarcas de Vila Franca de Xira querem tirar os carros da cidade e não hesitam em aumentar o estacionamento pago. Os munícipes sentem as mudanças na carteira e protestam.

Edição de 14.01.2004 | Sociedade
O parque de estacionamento na antiga escola do Adro, junto da Igreja matriz de Vila Franca de Xira passou a ser pago no início do ano. A medida visa disponibilizar lugares no parque para quem vai às compras ou aos serviços no centro da cidade. A junta de freguesia quer convencer as pessoas a estacionarem nos parques gratuitos da periferia da cidade. A autarquia estima que diariamente estacionem na cidade cerca de 20 mil viaturas e por isso tem de apostar na mobilidade do estacionamento. Contudo, a imposição do pagamento irritou dezenas de moradores da zona e munícipes que utilizavam o parque com frequência.A pensar nos moradores, a junta de freguesia só cobra o estacionamento nos dias úteis das 09h00 às 19h00 e aos sábados das 09h00 às 13h00. O presidente da junta reconhece que a exigência do pagamento não é politicamente correcta. “É preciso ter coragem para colocar estas medidas em prática”, disse.José Fidalgo (PS) explicou que a medida vai de encontro à pretensão de comerciantes e empresários do sector dos serviços que se queixavam da falta de parqueamento para os seus clientes. O autarca considera que seria “impensável” o parque continuar ocupado por carros de residentes que os deixavam no local dias seguidos. “Ter um carro estacionado toda a semana e só utilizá-lo ao fim de semana é um luxo que tem custos”, frisou. Argumentos que não convencem alguns habituais utilizadores. “Não se admite porque há pouco estacionamento na cidade e quem aqui trabalha tem de pagar uma renda mensal para colocar o carro”, disse Antonieta Abrantes, funcionária de uma loja no centro da cidade e habitual utilizadora do parque.Para os moradores e utilizadores frequentes, a junta sugere o parque junto do quartel dos bombeiros com 400 lugares e onde um passe mensal custa 19,5 euros. “Um valor que pesa” no entender da condutora que aufere o salário mínimo nacional.João Vicente, reformado, morador em Alhandra, desloca-se frequentemente à Rua José Falcão por motivos de saúde. Utiliza o parque e não aceitou a nova medida. “Venho fazer tratamentos e cada vez que aqui deixo o carro tenho de pagar mais de um euro. Se eu pudesse vinha de comboio, mas tenho dificuldades em andar”, lamentou. O condutor alertou ainda para as condições do parque que obrigam os automobilistas a “manobras muito apertadas”. “Com carros sem direcção assistida é um castigo para estacionar e para sair do parque. De vez em quando há uns toques”, afirmou.Para conseguir a mobilidade do parque que tem uma capacidade reduzida a pouco mais de 40 viaturas, a junta criou um tarifário idêntico ao do parque do Casquinha no terreno do futuro museu do Neo-realismo e perto da Caixa Geral de Depósitos. A primeira hora custa 50 cêntimos, a segunda aumenta para 65 cêntimos e a terceira custa 80 cêntimos. Ou seja, quem estacionar três horas paga quase dois euros e se o carro ficar durante as oito horas de trabalho paga 7 euros e 55 cêntimos. Nestes casos compensa optar pelo passe mensal (19,5 euros) e colocar o carro no parque junto dos bombeiros.Mas se chegar cedo ou com um pouco de sorte, o condutor pode conseguir um lugar gratuito no parque da Quinta da Mina debaixo do viaduto da auto estrada onde foi encontrada uma solução com uma plataforma de dois pisos que arruma 370 automóveis. Há ainda estacionamento livre de pagamento junto da praça de toiros da cidade, relativamente perto dos terminais rodoviário e ferroviário da cidade e nas bolsas de estacionamento junto da Curraleta e por cima da Quinta da Mina. Nestes parques não tem de pagar, mas não se livra dos arrumadores que pedem a moedinha da ordem. Fica quase pelo mesmo preço e não há garantia de que o seu carro fique em segurança.O presidente da junta reconhece alguma insegurança, mas José Fidalgo considera que esta é outra questão e passa pelo reforço dos meios da PSP que são manifestamente insuficientes.Parques pagos proliferamA proliferação dos parques pagos na cidade motivou uma intervenção do vereador da CDU na Câmara Municipal de Vila Franca de Xira. “Não existe noutras cidades do concelho tanto estacionamento pago. É preciso alguma sensibilidade nas zonas residenciais”, disse. Alves Machado colocou mesmo em causa a legalidade da medida implementada no parque da antiga Escola do Adro, uma vez que o espaço utilizado é do domínio público. O presidente da junta explicou que o espaço é propriedade da junta e a instalação do parque bem como a tabela de taxas foram deliberadas pela assembleia de freguesia.Simões Luís, vice-presidente da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira referiu que a câmara tem feito um esforço para aumentar a oferta de estacionamento e considerou o pagamento “inevitável”. O autarca recordou que aquando da implementação dos parquímetros também houve alguma resistência e hoje são aceites.Simões Luís anunciou a intenção de construir um novo parque nas traseiras do edifício do Ateneu Artístico Vilafranquense. O parque deverá ter uma capacidade para cerca de 200 lugares, será explorado pela junta de freguesia e metade da receita será para a colectividade. Nesta altura decorrem negociações entre a câmara, a EPAL e a Brisa porque as duas empresas terão de autorizar a intervenção dada a proximidade de um canal e da auto-estrada. Nelson Silva Lopes
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