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Salas de chuto no centro da cidade

Salas de chuto no centro da cidade

PSP de Santarém tem referenciados cinco locais de consumo e tráfico de droga

O Campo Infante da Câmara, as antigas instalações da Carmóvel, a zona do antigo matadouro, a zona da igreja da Graça e a residencial abandonada no Alto do Bexiga são um paraíso para toxicodependentes e traficantes em Santarém.

Edição de 14.01.2004 | Sociedade
As seringas, os limões e as colheres espalhadas pelo chão não deixam margens para dúvidas. As antigas instalações da Carmóvel, um edifício degradado, sem qualquer tapume de protecção, está a transformar-se num mercado de droga à vista de toda a gente. A polícia até já chama ao local “a casa de chuto de Santarém”. O corrupio de toxicodependentes é constante, tanto de dia como de noite. Uma situação facilitada pelo facto de a zona ser pouco frequentada pela população, pela deficiente iluminação e por não existirem barreiras físicas que impeçam a entrada de consumidores e traficantes. Apesar da PSP fazer rondas no local e de, por vezes, deter alguns consumidores, isso não tem sido suficiente para debelar o problema. Pelas mesmas razões, a travessa que liga o antigo matadouro da cidade, na Rua Pedro de Santarém, ao largo do centro de emprego, é também zona a evitar. Apesar não se registar grande crimi-nalidade, a polícia já recebeu queixas assaltos e pequenos furtos, alguns efectuados em pleno dia. As principais vítimas são os alunos da secundária Ginestal Machado, na ida para a escola, ou no regresso. Os artigos mais roubados são os telemóveis, pois podem ser vendidos, ou facilmente trocados por uma dose de heroína ou haxixe, os estupefacientes preferidos pelos consumidores de droga de Santarém, segundo a PSP. O estado de abandono transformou a Residencial Jardim, no Alto do Bexiga, noutro cancro difícil de controlar se não houver medidas drásticas. Segundo os relatórios da polícia, a partir do pôr do sol começam a concentrar-se no sítio as designadas “caras conhecidas da PSP”, há muito identificadas e controladas. A situação de abandono de imóveis também é preocupante nas traseiras da igreja da Graça. Algumas casas têm vindo a ser utilizadas para o tráfico e consumo. A área é considerada pela PSP como “zona sensível”. A mesma designação se aplica ao Campo Infante da Câmara, antigo campo da feira, onde algumas instalações desactivadas estão a fazer aumentar o corrupio de pessoas ligadas à droga. Com base nos registos de ocorrências da PSP, pratica-mente, todos os dias se apanham pessoas na posse de droga. Ainda na quarta-feira, dia 7, foi detido um jovem de 21 anos com 18 doses de estupefacientes. A experiência da polícia diz que, na cidade se pratica, o pequeno tráfico, normalmente desenvolvido por consumidores que se deslocam a Lisboa para comprar uma dezena de doses. Estes locais, identificados pela PSP como “sensíveis”, motivam alguma preocu-pação, porque estão em zonas residenciais, ou no centro da cidade, onde o movimento de toxicodependentes causa sentimentos de inquietação na população. O vice-presidente da Câmara de Santarém, Manuel Afonso (PS), está a par da situação e sublinhou que a autarquia está a tentar encontrar soluções com vista a eliminar o que chamou de “focos de insegurança”. Mas Manuel Afonso reconhece que se alguns locais forem eliminados os toxicodependentes acabam por procurar outros sítios. “É um problema delicado que tem que passar pela recuperação dessas pessoas e a câmara tem feito esse esforço, inserindo algumas delas na própria autarquia”. O autarca acrescentou que não vai desistir de eliminar (entaipando casas velhas e iluminando zonas escuras) os sítios que causam insegurança. Como é o caso da travessa do antigo matadouro onde, sublinha, alguns moradores já se queixaram pelo facto de verem pessoas a injectar-se em pleno espaço público.
Salas de chuto no centro da cidade

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