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Um dia a casa cai

Moradia desabitada em Azóia de Baixo, Santarém, ameaça ruir em cima dos vizinhos

Em Azóia de Baixo, uma casa em escombros ameaça a moradia vizinha onde vive um casal de idosos. A situação arrasta-se há mais de um ano e foi denunciada pelo presidente da junta.

Edição de 14.01.2004 | Sociedade
Um casal de idosos vive paredes meias com uma casa desabitada que pode ruir a qualquer momento, na rua Alexandre Herculano, a artéria principal da Azoia de Baixo.Alfredo Oliveira e a esposa, de 73 e 74 anos, respectivamente, já se confrontam com esta situação há cerca de ano e meio e esperam que se chegue rapidamente a uma solução. Para Alfredo Oliveira, a casa deve ser demolida quanto antes, evitando que as medidas só sejam tomadas depois do mal feito. “De vez em quando vou ouvindo objectos a cair e estas paredes não oferecem nenhuma segurança. São feitas à base de tufo e vão-se desfazendo aos poucos”, explicou.Além do perigo constante para quem vive a escassos centímetros de uma parede com cerca de três metros de altura , o casal “convive” diariamente com os ratos, bicharada e muita porcaria que se vai acumulando no interior das ruínas, como pudemos constatar. “O que vale é que um dos três cães que tenho, o mais pequeno, é terrível a apanhar esses bichos”, gracejou. Alfredo Oliveira diz já ter enviado várias exposições à Câmara de Santarém e um técnico da autarquia já reconheceu, no local, o perigo da situação. Mas até à data não se deu qualquer passo. O proprietário da casa em ruínas é Joaquim Rosado e outros três irmãos. Reconhecendo que a casa não está em bom estado, Joaquim Rosado disse-nos que já se encontra para venda há bastante tempo mas que ainda não foi possível chegar a um epílogo. Ainda que admitindo o mau estado do imóvel e a preocupação dos vizinhos, Joaquim Rosado afirmou não compreender como a sua casa é a única visada na freguesia, exemplificando com três ou quatro imóveis na mesma situação num raio de 200 metros, como na rua da Igreja, situada por trás daquele local. “A casa ao lado da minha está na mesma e até a do avô do presidente da junta de freguesia, que pelos vistos só denunciou esta situação, está em ruínas”, apontou.O autarca de Azóia de Baixo, Ricardo Gonçalves, diz ter feito o que lhe competia, enviando ofícios à Câmara de Santarém e aos proprietários, alertando para a urgência da resolução do caso.O certo é que a casa em ruínas ameaça a segurança dos moradores da casa ao lado, mas também dos transeuntes. Além de ficar situada junto a um local onde passam pessoas, está também situada a escassos metros do único restaurante da freguesia e em frente a uma paragem de autocarros. O caso não é desconhecido do vice-presidente da Câmara de Santarém, Manuel Afonso, que disse a O MIRANTE que a autarquia já accionou todos os mecanismos de diagnóstico à casa, tendo-se definido que a situação não é das mais urgentes. “Há que definir prioridades de risco e temos situações mais urgentes por resolver. Mas vamos programar uma acção quando os meios ao dispor estiverem mais folgados”, elucidou.Manuel Afonso referiu que está para ser publicada legislação em Diário da República - já aprovada em Conselho de Ministros - respeitante a este tipo de situações, na qual as autarquias podem vir a tomar posse administrativa dos imóveis, podendo realizar parcerias com empresas para a sua recuperação. O autarca considera que, a partir do momento em que estes mecanismos legais estejam à disposição da autarquia, será mais fácil reconverter com celeridade as casas em ruínas que proliferam pelo concelho de Santarém.

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