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Despedimentos na Tonova

Saída do maior cliente na origem do problema na fábrica de Torres Novas

A Tonova perdeu quase duzentos trabalhadores desde Agosto passado. O despedimento de funcionários deve-se à quebra na produção causada pelo fim das encomendas do principal cliente da empresa, o grupo Sonae.

Edição de 21.01.2004 | Sociedade
Quase duas centenas de funcionários saíram da empresa Tonova, sediada em Torres Novas, nos últimos cinco meses. A firma, também conhecida por fábrica das carnes ou dos ingleses, não renovou nenhum dos contratos de trabalho a termo certo e cancelou um dos turnos nocturnos, despedindo os empregados do quadro a ele adstritos. No final de Dezembro, a empresa contava com apenas 356 trabalhadores quando em Agosto tinha 536. Entretanto, estão a terminar os seus contratos mais 24 funcionários que serão igualmente dispensados.Estes dados foram fornecidos a O MIRANTE pela directora de recursos humanos da Tonova, Fernanda Aparício que, no entanto, rejeita qualquer hipótese de encerramento da unidade fabril. “Os factos são mais elucidativos do que as palavras. Estamos no mercado, captando novos clientes nacionais e internacionais, e a prova disso foi a contratação, já em Janeiro, de um director de marketing”.Na origem deste acentuado decréscimo de funcionários está o fim das encomendas do principal cliente da Tonova, o grupo Sonae, que construiu uma unidade de fabril de processamento de carnes em Santarém para abastecimento das suas superfícies comerciais. O Grupo Sonae rescindiu o contrato com a Tonova e em Agosto último os funcionários com contrato a prazo começaram a sair. “Não renovamos os contratos”, afirma Fernanda Aparício, que justifica a medida com a diminuição da produção.Para o Grupo Sonae, a Tonova continua a fornecer alguns produtos de valor acrescentado, mas a aposta vai para novos clientes. Sem querer adiantar para que mercados vão dirigir a sua actividade, Fernanda Aparício limitou-se a afirmar: “O crescimento vai ser gradual, mas não há qualquer perspectiva de encerramento da unidade”.Quando a Tonova se instalou em Torres Novas estava prevista a criação de mais de quinhentos postos de trabalho directos e entre 60 a 70 indirectos. Números que chegaram a ser alcançados, bem como o compromisso de que os lugares seriam ocupados prioritariamente por residentes no concelho. Com a não renovação dos contratos, a percentagem de desempregados do concelho de Torres Novas aumentou consideravelmente. Duzentas pessoas sem emprego constituem cerca de cinco por cento do universo de desempregados inscritos no Centro de Emprego de Torres Novas.Para Octávio Oliveira, delegado do Instituto de Emprego e Formação Profissional de Lisboa e Vale do Tejo, a saída de tantos funcionários da Tonova de forma concentrada constitui uma “preocupação acrescida”. “Mesmo que haja só um desempregado é preocupante. Quando esse número é tão elevado as preocupações aumentam”, declarou. Sem ter na sua posse elementos que lhe permitam descrever exactamente as medidas tomadas pelo Centro de Emprego de Torres Novas, onde muitos dos ex-trabalhadores da Tonova teriam feito a sua inscrição, Octávio Oliveira adianta que cada caso será analisado individualmente e conduzido de acordo com as habilitações dos desempregados, tendo em vista a criação de novas oportunidades de emprego. Alerta, no entanto, para o facto de os centros de emprego não terem “medidas miraculosas” e que aos próprios compete ter uma atitude activa e por si mesmo procurarem trabalho a nível regional.Octávio Oliveira, também vereador do PSD na Câmara Municipal de Torres Novas, desempenhava o mesmo cargo autárquico aquando da instalação da Tonova no concelho. Na altura, Octávio Oliveira votou favoravelmente a instalação da fábrica, mas chamou a atenção para o perigo da produção da unidade estar nas mãos de um único cliente. A fábrica começou a ser negociada no final do primeiro mandato do presidente da Câmara de Torres Novas António Rodrigues (1993-1997) e após uma “luta” que envolveu vários municípios da região, o autarca torrejano ganhou a parada. A vitória foi alcançada depois de uma viagem a Londres do presidente Rodrigues e do então vereador social-democrata Francisco Rodrigues.No entanto, anos depois um dos concelhos envolvidos na contenda, Santarém, acabou por ver instalada no seu território uma unidade de processamento de carnes da própria Sonae.

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