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ETAR à beira do colapso

Dirigentes do PSD visitaram Alcanena e ouviram um alerta

A ETAR de Alcanena tem o seu futuro em risco caso não se façam investimentos urgentes na rede de colectores que a servem. O alerta foi deixado pelo responsável pela gestão do equipamento durante uma visita de uma comitiva do PSD.

Edição de 21.01.2004 | Sociedade
A actividade da Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) de Alcanena está em risco se não se proceder urgentemente ao investimento que tem de ser feito, designadamente na substituição da rede de colectores, que se encontra bastante degradada. “É difícil determinar o período de vida da ETAR se não se proceder à reparação das condutas. Assim ela não pode continuar por muito mais tempo”, admitiu na sexta-feira Joaquim Gomes, responsável da Lusagua – empresa que gere o equi-pamento propriedade da Associação dos Utilizadores do Sistema de Alcanena (AUSTRA).As declarações de Joaquim Gomes foram produzidas durante a visita que uma comitiva do PSD – que integrava autarcas, deputados e dirigentes distritais e concelhios - fez à ETAR de Alcanena.As roturas nas condutas não são um problema novo. Sempre que chove com mais intensidade, a quantidade de efluentes que chega à ETAR aumenta desmesuradamente devido à infiltração da águas das chuvas nos colectores.E como a ETAR de Alcanena foi dimensionada para tratar em média 10 mil metros cúbicos de águas residuais, quando esse volume é exageradamente ultrapassado há que descarregar esgotos por tratar directamente no rio Alviela, para não causar problemas no processo de tratamento. A deslocalização das empresas para uma área mais próxima da ETAR, o que evitava a substituição de cerca de 40 quilómetros de condutas, é uma das alternativas apontadas. “Não se pretendia deslocalizar todas as empresas ao mesmo tempo, mas fraccionadamente penso que seria possível fazê-lo”, defende Joaquim Gomes.Os vogais do PSD da Assembleia Municipal de Alcanena já apresentaram essa hipótese, mas as probabilidades de se optar por ela não parece ser muito viável. O próprio deputado social-democrata Ribeiro dos Santos, natural de Minde, levantou a questão dos custos que uma solução desse tipo acarretaria.O presidente da Câmara Municipal de Alcanena, Luís Azevedo (ICA), também tem sérias dúvidas: “Acredito na bondade da proposta, mas não me parece que possa ser concretizada. A deslocalização das empresas envolveria avultados custos que os empresários não poderiam suportar. Seriam necessários grandes apoios estatais”.Segundo o presidente a câmara, tem havido frequentes reuniões com elementos do Governo e o próprio secretário de Estado do Ambiente visitou recentemente a região, mas até à data não há qualquer resposta. “Apresentámos um estudo de investimento e tentamos marcar uma reunião com o Ministério do Ambiente, mas até à data não foi possível receberem-nos”, afirma Luís Azevedo, que conclui: “Do Ministério do Ambiente recebemos a informação de que o assunto tinha sido enviado para o Ministério da Economia. Estamos a aguardar a resposta já há alguns meses”.Dos investimentos fazem parte a substituição da rede de colectores industriais, o saneamento e reabilitação de uma das células da ETAR selada com lamas não inteiramente desactivadas, a protecção contra cheias, dado que a estação foi construída em leito de cheia, a reestruturação do sistema de tratamento biológico, de acordo com a legislação em vigor, bem como a reabilitação do sistema de recuperação do crómio, um dos principais resíduos tóxicos da indústria de curtumes, entre outros melhoramentos. A lista de investimento traduz-se em mais de 12 milhões de euros.Apesar das limitações, e caso não haja excesso de efluentes que obriguem a descargas, a ETAR consegue eliminar 95 por cento dos resíduos contidos nos efluentes.Um bom exemploNa visita o PSD quis também mostrar um bom exemplo de um equipamento do concelho. No caso foi escolhido o Centro de Bem Estar de Minde, uma instituição particular que dá apoio a crianças e idosos.O centro foi criado em 1977, sendo frequentado actualmente por 213 crianças, da creche ao pré-primária e ateliês de tempos livres. Em relação aos idosos, o centro tem um lar utilizado por 58 idosos, dá apoio domiciliário a 35 e o centro de dia é frequentado por 15.“Esta é uma obra da população de Minde”, afirma com orgulho o presidente da direcção do centro, Manuel André, enquanto pormenoriza os investimentos mais recentes, tanto no edifício dedicado aos mais novos, como no lar, e anuncia o alargamento de algumas salas. A zona do lar, que ocupa uma área de 1,5 há, foi doada por quatro irmãos padres, naturais de Minde: os irmãos Martins.Margarida Trincão

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