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Festa apesar da derrota

Festa apesar da derrota

Vilafranquense levou uma centena de adeptos ao Estádio das Antas

O Vilafranquense perdeu por 4-0 frente ao FC Porto, nas Antas, e foi eliminado da Taça de Portugal. Apesar de tudo, foi um resultado que não envergonha ninguém e a jovem equipa de Vila Franca de Xira ganhou um pouco mais de experiência. Do Ribatejo foram cerca de cem adeptos que antes e no início do jogo não se cansaram de puxar pela equipa.

Edição de 28.01.2004 | Desporto
Perto de uma centena de adeptos do Vilafranquense percorreram quase seiscentos quilómetros, no passado dia 21 de Janeiro, para apoiarem a equipa, num dos dias mais marcantes da história do clube. A equipa sénior jogava no Porto, frente aos actuais campeões nacionais e detentores da Taça Uefa, e os adeptos, apesar de poucos, fizeram-se ouvir em pleno Estádio das Antas.O Vilafranquense perdeu por claros 4-0, mas poucos esperavam verdadeiramente que o resultado pudesse ser favorável aos ribatejanos. Neste jogo, de resto, o resultado não era efectivamente o que mais interessava. Importante era aproveitar ao máximo um dia que não se repetirá facilmente.O autocarro que levava a maior falange de sócios unionistas chegou ao estádio em cima das duas da tarde, uma hora antes do jogo. As bandeiras e cachecóis vermelhos e brancos faziam-se notar num ambiente pintado de azul, porque apesar de o jogo ser previsivelmente fácil para os portistas, estiveram no estádio cerca de sete mil adeptos.Os cânticos de União, União, União, não estavam muito ensaiados, mas também não passaram despercebidos nos trinta metros entre o autocarro e a bancada superior norte do velhinho estádio do Futebol Clube do Porto. “Vocês ganharam a Uefa mas esta ganhámos nós”, dizia um jovem de cachecol vermelho e branco ao pescoço em resposta à “provocação” de um portista, que fazia o sinal de mão cheia (5-0).Mas não se pense que houve qualquer atrito entre as duas claques. Antes pelo contrário. Além de uma ou outra picardia verbal, tudo decorreu com grande respeito mútuo. Até o preço dos bilhetes (dez euros) era perfeitamente pacífico para um jogo destes.Quis o destino que a claque do Vilafranquense ficasse do lado do campo em que a equipa fazia os exercícios de aquecimento. Uma sorte aproveitada para os primeiros incentivos à equipa. O apoio continuou mal o árbitro apitou para o início da partida. Nos primeiros minutos do jogo só se ouviam os gritos espaçados dos adeptos ribatejanos e as piadas aos jogadores portistas, sobretudo a Sérgio Conceição, que fazia o primeiro jogo após a saída da Lázio.Só que a festa durou pouco tempo e foi estragada aos 23 minutos pelo primeiro golo dos portistas, marcado pelo brasileiro Carlos Alberto. A equipa esmoreceu e os adeptos também, até porque cinco minutos depois Marco Ferreira fez o 2-0. A partir dai restou esperar pelo fim do jogo e por mais trezentos quilómetros até Vila Franca de Xira. O Vilafranquense não tinha ganho, mas dignificara o clube.Reforçosportistas decisivosO brasileiro Carlos Alberto e o português Sérgio Conceição, reforços contratados pelo FC Porto na reabertura do mercado, foram decisivos para a vitória dos dragões, por 4-0, frente ao Vilafranquese. O médio brasileiro apontou o primeiro e o último golo dos portistas (24 e 76 minutos), enquanto o extremo português, que realizou o primeiro jogo após ter regressado a Portugal, marcou o 3-0, de grande penalidade, aos 66 minutos. Marco Ferreira, aos 28 minutos, marcou o terceiro golo da equipa de José Mourinho.O Vilafranquense entrou bem no jogo, que esteve equilibrado durante o primeiro quarto de hora. A partir daí, com Sérgio Conceição no comando, os dragões aumentaram a pressão, intranquilizando o último reduto dos ribatejanos, que facilitou em momentos decisivos.A vitória por 4-0 ajustou-se ao que se passou em campo, mas o Vilafranquense podia ter feito melhor. Alguns jogadores pareceram intimidados pelo nome do adversário e estiveram uns furos abaixo do que costumam produzir.Recorde-se que os portistas deviam ter defrontado em 14 de Janeiro o Felgueiras, mas a equipa da Liga de Honra foi afastada da Taça na secretaria, por o seu treinador, Diamantino Miranda, ter sido inscrito no boletim do jogo dos 16 avos-de-final com o Vilafranquense, o que fez com que a equipa ribatejana fosse “repescada” para jogar com o Porto.Treinador do Vilafranquense resignado“Aquilo que esperava aconteceu”Apesar da derrota por 4-0, o treinador do Vilafranquense não era um homem abatido quando falou aos jornalistas no final do jogo. “Aquilo que esperava aconteceu mas a nossa equipa teve uma presença agradável e este foi um marco importante na carreira dos jogadores”, começou por dizer Rui Vitória.“As diferenças entre estas duas equipas são enormes mas viemos dispostos a fazer o nosso melhor e dar uma boa imagem. Julgo que o conseguimos, dignificando o clube e a cidade. Não podia pedir mais a uma equipa que está recheada de jovens”, acrescentou o também jovem treinador, que considera que esta foi uma experiência enriquecedora. “Não é todos os dias que se defronta um adversário tão bom e que, por isso, permite aprender. Os meus jogadores não têm nada por que se envergonhar, tendo dado o tudo o que lhes era possível”.
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