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Atento Manuel Serra D’Aire

Edição de 28.01.2004 | E-mails do outro mundo
Lamento revelar-te, mas eu sou um dos poucos portugueses que nunca tinha ouvido falar, até ler o teu último escrito, do novo genro do presidente de Angola e muito menos da sua origem ribatejana. O rapaz lá sabe onde é que se deve meter e ninguém tem nada com isso. Aliás, quem passa pelas praxes da Escola Agrária de Santarém, e sobrevive, está pronto para qualquer missão, por mais arriscada que seja – como é o caso de ter um sogro chamado José Eduardo dos Santos.Isto desde que não abuse e não faça como muitos dos jovens universitários portugueses que, segundo um estudo recente executado por uma psicóloga de Marinhais, gostam de arrear nas cachopas e de as coagir forçando-as a ter relações sexuais. Nesse caso, o melhor mesmo é pôr-se a milhas do sogro e da sua entourage. Manel, esse estudo da psicóloga Fátima Gameiro tem várias virtudes. Uma delas é desmentir os cotas que andam sempre a dizer mal da malta nova e a queixar-se que as tradições vão morrendo aos poucos. Pelos vistos dar porrada na mulher está-nos na massa do sangue. Está para os portugueses como o chá está para os ingleses. Muitos dos jovens actuais podem ter trocado a taberna pelo Mc Donalds, o baile da paróquia pela discoteca, a missa das onze pelo ginásio, mas não abdicam do seu estaladão na namorada quando é preciso. E obviamente só eles sabem quando é preciso…Claro que depois da revelação destes dados é provável que se convoque uma marcha nacional contra os jovens machões que abusam das colegas. Aliás, a história das marchas está na moda. Antes tínhamos as marchas populares, as marchas militares e as marchas-atrás. Agora são marchas brancas contra os pedófilos, marchas pela educação, marchas lentas contra o mau estado das estradas… Quando se quer protestar, marcha-se! O que até faz sentido: afinal de contas o nosso hino nacional termina precisamente com um apelativo “marchar, marchar”.Não me admirava nada se os adeptos do Benfica se lembrassem de organizar uma marcha na Segunda Circular exigindo a vitória num campeonato nos próximos 50 anos, nem que fosse em bilhar ou ping pong. Ou que os credores da Câmara de Santarém marchassem a pé até Fátima para pedir à Nossa Senhora que interceda a seu favor e faça o bestial milagre de pôr a autarquia a pagar a quem deve. Provavelmente, ainda ninguém se lembrou disso…Eu é que já me antecipei à jogada e estou a organizar uma marcha dos habitantes das aldeias marginalizadas do Médio Tejo, que vai mobilizar gente de lugares como Pé de Cão, Carrapatoso, Tubaral, Pinceiro, Fonte do Piolho, Venda dos Tremoços, Pau Mau, Coito, Pai Cabeça, Infestinos e Panascal. A intenção é marchar sobre Tomar e reivindicar a sede da Comunidade Urbana do Médio Tejo, ou pelo menos um qualquer serviço ou repartição.E por falar em comunidades urbanas, para facilitar as coisas as ditas deviam passar a ser tratadas por CU (sigla de Comunidades Urbanas). Mas, como já deves ter reparado, o inventor das ditas, o secretário de Estado Miguel Relvas, preferiu o termo ComUrb. O país anda em polvorosa com a Casa Pia e a garagem do Farfalha e realmente não seria de bom tom andar gente de boas famílias a dissertar sobre CU para aqui, CU para acolá… Imagina o secretário de Estado a dizer que a regionalização socialista era uma bosta e que CU é que é bom para o país. Ou que CU é a forma de o poder estar mais próximo dos problemas das populações. Ou que o povo já merecia CU há muito tempo. A malta podia confundir as coisas, levar a conversa a sério, e depois queria ver como é que o Governo se desenrascava… Um abraço do Serafim das Neves

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