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Manuel Monteiro reapareceu em cena

Edição de 28.01.2004 | Política
Manuel Monteiro, dirigente da Nova Democracia, partido político recentemente formado, esteve no mercado do Entroncamento, no passado sábado. A digressão teve como objectivo recolher assinaturas para convencer o Governo a fazer um referendo sobre a Constituição Europeia. No dia anterior, a Nova Democracia falou com os vendedores do mercado do Flecheiro, em Tomar.“A recepção foi muito superior às expectativas”, comentou Monteiro, adiantando que a sua retirada da cena política durante todo este tempo, desde que perdeu para Paulo Portas a direcção do CDS-PP, lhe tirou “algum traquejo” para contactar com o público.Mas não se saiu mal nesta digressão pelas bancas de roupas, quinquilharias e outras mais dedicadas à agricultura, no mercado do Entroncamento. As pessoas ainda não se esqueceram da figura de Monteiro, diziam que “era o da televisão” e muitas sabiam o seu nome. “Sabem quem sou”, realçava. Manuel Monteiro cumprimentava e aproveitava para pedir uma assinatura para o referendo: “Não compromete ninguém, é só preciso ter o bilhete de identidade”. E a maioria assinava. Só uma senhora não gostou que o marido parasse para conversar com tão ilustres políticos. Voltou atrás e frisou: “Eu não sou de direita”.No entanto, em termos eleitorais, foi uma maioria mais do que absoluta que parou para conversar, para dizer mal dos ordenados, dos impostos e da ministra das Finanças. A concorrência imposta pelas chamadas “lojas dos chineses” foi outro dos temas na ordem do dia: “Não pode ser”, dizia Monteiro, “Portugal não pode permitir que produtos oriundos da China entrem no país sem pagar impostos. Os produtos são vendidos muito mais baratos e vão levar à falência das indústrias nacionais”.O partido criado por Manuel Monteiro reúne muito poucos ex-militantes ou simpatizantes do CDS-PP. “Eu era CDS”, começa por dizer Helena Santo, que já foi deputada eleita pelos centristas do distrito. E prossegue: “Mas há muito poucos. A maior parte nunca teve actividade política e vê na Nova Democracia uma oportunidade para mudar, mas também há gente de outros partidos, como a nossa secretária-geral, Augusta Montes, que foi fundadora do PSD”.Os discursos políticos surgiam no intervalo para uma outra banca., para outra conversa ou para a compra do Borda d’Água: “É extraordinário o Borda d’Água”, comentava Monteiro, enquanto pagava aquela publicação histórica que diz as fases da lua ou quando deve semear as batatas, entremeado com provérbios populares.“Já o vi ontem em Tomar”, ouvia-se de outra banca. A cidade dos Templários foi escolhida por Monteiro por ser uma terra emblemática e o Entroncamento porque é um grande mercado e por estar perto de Fátima, onde da parte da tarde decorreu uma reunião de trabalho com as estruturas nacionais da Nova Democracia.Em termos políticos, o partido está preocupado, neste momento, com as eleições europeias, depois haverá outras preocupações e objectivos a alcançar: “Claro que teremos estratégias para as eleições nacionais, o país interessa-nos acima de tudo, mas por agora as nossas preocupações são as eleições europeias”, conclui Helena Santo.Margarida Trincão

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