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Vereador socialista de Tomar abandona pelouro

Vereador socialista de Tomar abandona pelouro

Fernando Santos acusa Paiva lhe retirar confiança política

O vereador do PS Fernando Santos renunciou na última segunda-feira ao pelouro do turismo que lhe tinha sido atribuído pelo presidente da câmara por “falta de condições políticas”.

Edição de 28.01.2004 | Política
Ao longo de nove páginas de comunicado, lido na íntegra na última reunião do executivo da Câmara de Tomar, o vereador socialista Fernando Santos justificou a sua decisão de abandonar o pelouro do turismo com o que chamou de “falta de condições políticas de trabalho”.Como vereador da oposição, Fernando Santos afirmou não se rever no modo de funcionamento do executivo social-democrata, nem poder tolerar “o método do facto consumado”, de ocultação de informação e ausência de debate sobre as grandes questões do desenvolvimento do concelho.Afirmando que aceitou de boa fé o convite para assumir o pelouro do turismo, por acreditar que era sua obrigação não permanecer no executivo como simples observador, o vereador socialista disse não encontrar, dois anos passados, explicação fácil para algumas incongruências que “permanecem e se acentuam” na gestão camarária.Fernando Santos não entende porque, “ao contrário do que seria de esperar”, não lhe cabe a representação da câmara na Região de Turismo dos Templários; porque nunca lhe coube qualquer papel ou intervenção no processo referente ao Plano de Ordenamento da Albufeira de Castelo do Bode; porque não teve conhecimento da visita de diversas individualidades nacionais e estrangeiras, directamente relacionadas com o turismo, não sabendo ainda hoje os resultados dessas visitas ou sequer os assuntos que trataram.O vereador acusou também a maioria social-democrata de esvaziar o turismo de competências que no passado lhe cabiam, como as piscinas, o parque de campismo e os monumentos, transferindo essas competências para outros vereadores.Além de se sentir marginalizado, o vereador referiu-se ainda ao “boicote” que alguns serviços camarários têm feito sua actuação, pelo facto de ter sido eleito pela oposição, nomeadamente por parte de um assessor político, cujas interferências o “diminuíram” e “ofenderam” como vereador com competência delegada.Fernando Santos recordou ainda as instalações deficitárias onde se situa actualmente a área do turismo, “o rés-do-chão do edifício do turismo onde não há espaço para nada”. “Não sinto, por tudo o que afirmei antes, que exista confiança política entre o presidente e o vereador”.O abandono de responsabilidades camarárias por parte do vereador socialista deve-se também a divergências quanto à estratégia política seguida pelo executivo em diversas outras áreas, como a não transferência de competências para as freguesias, a falta de acessibilidades externas à cidade, o reduzido investimento em habitação social e a ausência de uma estratégia sustentada para o concelho.O presidente do município, António Paiva (PSD), que se mostrou surpreendido com a decisão do vereador, referiu-se ao comunicado de Fernando Santos como “um bom documento de reflexão”, admitindo que há assuntos que têm dividido a maioria PSD e a oposição PS, como a delegação de competências para as juntas de freguesia ou a subida dos impostos municipais.António Paiva aceitou, todavia, as críticas feitas à reestruturação administrativa efectuada na autarquia, admitindo que há alguns assuntos que não estão a ser tratados como deveriam.O presidente decidiu entregar o pelouro do Turismo ao vereador da maioria Ivo Santos, que tem já a seu cargo as feiras e mercados e biblioteca, a juventude, o lixo e as publicações.Em declarações ao nosso jornal Ivo Santos referiu que o turismo é um desafio aliciante, uma vez que se trata de um pelouro com uma importância estratégica para o executivo PSD.
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