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Em busca do paço real

Escavações arqueológicas junto ao mercado municipal de Almeirim

A Câmara de Almeirim quer ter certezas sobre qual foi o local exacto onde existia o paço real, edificado por D. João I em 1421. O monumento foi demolido no século XIX e tenta-se agora desenterrar a história através de escavações arqueológicas.

Edição de 28.01.2004 | Sociedade
Uma equipa de arqueólogos contratada pela Câmara de Almeirim está a tentar encontrar vestígios do paço real que existiu na cidade, demolido no século XIX. As escavações decorrem na zona conhecida por cerca do hospital, junto ao mercado municipal. Os técnicos já encontraram algumas construções que estavam soterradas, mas ainda não é possível tirar conclusões cem por cento fiáveis. Os trabalhos começaram na segunda-feira, 19 de Janeiro, e numa primeira fase procede-se à identificação e registo dos materiais encontrados no local, que foi delimitado após a realização de sondagens na zona. Como a zona era pródiga em entulhos teve que se usar uma máquina escavadora. “Assim que se encontrava algo a máquina parava e começavam as escavações manuais”, contou Iola Filipe da empresa de arqueologia Era e directora da escavação. As sondagens foram feitas com base numa planta topográfica do século XVII. “Neste momento temos identificados dois momentos distintos. Temos um muro recente, até porque há pessoas de 80 anos que ainda se lembram de ver aqui construções. E temos outro muro provavelmente datado de antes do século XIX”, explicou a directora da escavação, acrescentando que há ainda um muro assente em cima de telhas e entulhos não consolidados. Situação que identificou como pouco habitual. No local foram também recolhidos ossos pertencentes a animais, que foram fotografados e registados. Estes achados não vão ser guardados por não terem interesse em termos de estudos arqueológicos. O vereador da Cultura da Câmara de Almeirim, João Torres, acredita que vai ser possível no mínimo ter mais alguma certezas quanto à existência do paço real naquela zona, apesar de ainda não terem sido encontrados “vestígios sintomáticos”. “Pensa-se que neste local havia também uma torre com cerca de 20 metros de altura, da qual era possível observar toda a zona em redor do paço”, reforçou o autarca. Numa segunda fase, o trabalho de escavação vai ser avaliado para definir qual o passo a seguir. Paralelamente vão ser feitas comparações entre uma planta da antiga vila régia e uma planta actual. “Com a sobreposição das plantas e com a identificação das construções descobertas vai tentar-se encontrar a localização exacta do paço real. Estimamos que o local onde decorrem as escavações correspondem ao pórtico de entrada”, sublinhou João Torres. A realização dos trabalhos de arqueologia motivaram a curiosidade de algumas pessoas. Iola Filipe contou que “houve um senhor que perguntou se estávamos à procura de dinossauros. Outros vêm ter connosco a perguntar o que é que estamos aqui a fazer”, revelou.

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