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Embargo virtual

Entre afirmações e desmentidos o parque de estacionamento

O IPPAR diz que não embargou as obras no parque de estacionamento subterrâneo de Tomar. A Ordem dos Arquitectos diz que tem um documento a provar o embargo, mas não o divulga. E a Câmara de Tomar fala em má fé no processo. Entretanto as obras continuam.

Edição de 07.04.2004 | Sociedade
O Instituto Português do Património Arquitectónico (IPPAR) emitiu, a 31 de Março, um comunicado em que afirma não ter embargado as obras do parque de estacionamento subterrâneo situado por detrás da Câmara de Tomar, desmentindo a Ordem dos Arquitectos que, um dia antes, tinha anunciado a paragem da obra por parte da entidade estatal.Este é um processo em que todos dizem ter razão, apesar das versões contraditórias. Na terça-feira, 30 de Março, a Ordem dos Arquitectos emitiu um comunicado à imprensa afirmando que o IPPAR tinha embargado a polémica obra. Mas um dia depois é o próprio instituto que desmente o embargo. Também em comunicado, o IPPAR diz “não confirmar qualquer proposta formal de embargo” ao parque de estacionamento, revelando ainda, ao contrário do que tem sido veiculado por alguns habitantes de Tomar, que a obra tem tido acompanhamento arqueológico.Segundo o IPPAR, a prova de que há acompanhamento são os diversos pareceres emitidos sobre aspectos parcelares da execução do projecto, “cuja finalidade é a de minorar o impacto sobre os valores patrimoniais em presença” e decorre da sua aprovação condicionada ao projecto-base.O comunicado termina, no entanto, com um alerta: caso não sejam garantidas as condições impostas, o instituto reserva-se no direito de actuar em conformidade, de acordo com a Lei.Mas a Ordem dos Arquitectos não desarma. Em declarações ao nosso jornal, a responsável pela publicação da nota de imprensa diz não retirar uma vírgula ao que lá está escrito. “A Ordem dos Arquitectos limitou-se a fazer sair uma informação vinda do IPPAR que na terça-feira era válida”, refere Margarida Carvalho, adiantando que, se entretanto houve desenvolvimentos sobre o assunto, “a Ordem não teve conhecimento deles”.Sobre o alegado documento proveniente do IPPAR, que a Ordem afirma ter em seu poder, e que refere expressamente o embargo à obra, Margarida Carvalho escusou-se a divulgá-lo. “Não compete à Ordem divulgar um documento que é do IPPAR, é este organismo que o deve divulgar”.Num fogo cruzado tem andado a Câmara Municipal de Tomar (PSD) que, desde o início da polémica construção, ainda não teve descanso. Na reunião camarária de segunda-feira, o presidente da autarquia reafirmou toda a legalidade da obra e falou em má fé de alguém (ou alguns) que estão a usar a obra para atingir o executivo.“Porque é que a câmara está a ser sujeita a estas pressões ainda não sei, mas levaremos o calvário até ao fim para esclarecer toda a gente sobre este processo”, referiu António Paiva.Por pressão do vereador socialista José Mendes, o executivo deliberou enviar uma carta à Ordem dos Arquitectos questionando-a sobre o teor do comunicado que emitiu. O vereador da oposição diz que se a câmara está de consciência tranquila deve exigir uma resposta ao organismo.Apesar de afirmar “acreditar” no presidente, José Mendes admitiu também “não acreditar que não tenha havido qualquer coisa que estivesse na base do comunicado” da Ordem dos Arquitectos.

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